Posts Tagged ‘poema homem de cor’

Para entender melhor o feriado do Consciência Negra, data da morte do escravo Zumbi dos Palmares (ironicamente senhor de escravos em seu Quilombo), segue alguns textos reflexivos sobre a questão étnica no mundo. O primeiro é um relato histórico muito bem enfeitado nas palavras do uruguaio Eduardo Galeano. Depois um poema do senegalês Léopold Senghor. Por fim, um entrevista-depoimento do consagrado Morgan Freeman, ator negro que encabeçou alguns filmes que abordam a questão do preconceito, como Conduzindo Miss Daisy, Amistad e Invictus.

ÁFRICA MINHA 

No final do século XIX, as potências coloniais européias se reuniram, em Berlim, para repartir a África. Foi longa e dura a luta pelo botim colonial, as selvas, os rios, as montanhas, os solos, os subsolos, até que as novas fronteiras fossem desenhadas e no dia de hoje de 1885 foi assinada, “em nome de Deus Todo-Poderoso”, a Ata Geral.    

    Os amos europeus tiveram o bom gosto de não mencionar o ouro, os diamantes, o marfim, o petróleo, a borracha, o estanho, o cacau, o café, e óleo de palmeira, proibiram que a escravidão fosse chamada pelo seu nome, chamara de “sociedades filantrópicas” as empresas que proporcionavam carne humana ao mercado mundial. Avisaram que atuavam movidos pelo desejo de “favorecer o desenvolvimento do comércio e da Civilização”, e, caso houvesse alguma dúvida, explicava, que atuavam preocupados “em aumentar o bem-estar moral e material das populações indígenas”. 

     Assim a Europa inventou o novo mapa da África. Nenhum africano compareceu, nem como enfeite, a essa reunião de cúpula.

(GALEANO, Eduardo.  Os filhos dos Dias. L&PM, 2012, p.74.)

HOMEM DE COR

Querido irmão branco:

Quando nasci, era negro

Quando cresci, era negro

Quando o sol bate, sou negro

Quando estou doente, sou negro.

Quando morrer, serei negro.

E enquanto isso, você:
Quando nasceu, era rosado.
Quando cresceu, foi branco.
Quando o sol bate, você é vermelho.
Quando sente frio, é azul.
Quando sente medo, é verde.
Quando está doente, é amarelo.
Quando morrer você será cinzento.
Então, qual de nós dois é um homem de cor?

(De Léopold Senghor, poeta do Senegal)