Posts Tagged ‘Pink Floyd’

A obra do prisma pinkfloydiana tem mensagens que até L. Frank Baum duvida. Mas como seria a capa do álbum de acordo com cada música ali contida? A maioria é óbvia, mas….

23

1239554_463728960402015_1471802473_n

1377571_10201876861979252_1618781819_n

805161226660557

Brain_Damage_Wallpaper_2_by_NuxlyStardust

Dark_side_of_the_moon_by_Eclipse84

4441132097_c031cf6486_z

 

No aniversário de 40 anos de The Dark Side Of the Moon, completados no início do mês de março, ficou a dúvida de como escrever, e fazê-lo muito bem, pra homenagear esse álbum, com o prisma que foi além da física na capa e ficou SÓ 14 ANOS ENTRE OS 10 MAIS VENDIDOS NA EUROPA E NOS EUA. Meu parceiro de blog sugeriu dividir a responsabilidade com outros entendidos do assunto e assim foi feito, depois de árduas cobranças chatas de minha parte, eis o trabalho conjunto.

Modéstia à parte, penso ter formado o melhor time possível. Os comentários sem aspas são de minha autoria (Gabriel Carlos Ogata Nogueira ou GON), os outros são das seguintes autorias: Guilherme Kandratavicius (GK), engenheiro de alimentos na Louis Dreyfus Commodities; Caio Cesar Oliveira (CCO), estudante de administração e vendedor da Galeria do Som em Ribeirão Preto; Tadeu Scharlack Carciolari, professor de segurança do trabalho em Araras e Sérgio de Mello Júnior , estudante de psicologia e ex-aluno de quem vos escreve.

1 – Speak to Me/Breathe

Um bumbo que imita a pulsação cardíaca, Roger Waters falastrão, o caixa abrindo e fechando, risadas e gritos tenebrosos. Esse é o carro abre-alas do álbum, seguido de slide havaiano que é impossível não ‘viajar’. Gilmour dá a dica de como se portar diante a repressão e intimidação, tema comum ao Floyd naquela época: se conformar e valorizar a vida terrena (smiles you’ll give and tears you’ll cry/all you touch and all you see is all your life will ever be) e ironizar o trabalho árduo dos ingleses sem sequer ver a luz do dia usando coelhos (dig that hole, forget the sun…don’t sit down it’s time to dig another one). Mas na parte final desejam dias melhores (balanced on the biggest wave).

Os acordes distorcidos, e estendidos, com o baixo cadenciado suavizam a canção o tempo todo, mesmo que sejam breves 2:30, um recorde para a banda que se habituou com até 20 minutos em uma só faixa. Nick Mason segue sem pressa na bateria e Richard Wright, o básico nos teclados. (GON)

2 – On the Run

A ‘faixa de transição’ do album, em que os dois cabeças do grupo usam e abusam de sintetizadores e sampleadores, um efeito psy nos anos 70 (ou os avós desse ritmo). O videoclipe usado na turnê P.U.L.S.E retrata um paciente angustiado numa cama de hospital, que começa a ser mover com a agressão do instrumental, chegando até uma pista de aeroporto, casando perfeitamente. Nem só de Mágico de Oz vive a sincronização de Dark Side. (GON)

3 – Time

“A única musica do álbum creditada a todos os integrantes, e uma das que retrata mais claramente o objetivo do álbum, que é direcionar as canções, aos problemas cotidianos, e coisas que “cansam as pessoas”,

Os anos estão cada vez mais curtos e logo você percebe que 10 anos ficaram para tras e você nem viu! É, fico me imaginando, se fosse escrita nos dias de hoje, seria um tema bem atual.

Detalhe para a introdução da musica, começa com gravações não instrumentais. Cada relógio foi gravado separadamente em uma loja de antiguidades, e seguido por uma bateria com tempos estranhos e uma escala de contra baixo marcante até por volta dos 2min e 25seg. Depois cantada por Gilmour e Wright, com belos backing-vocals femininos.

E no final para fechar com chave de ouro, uma reprise da faixa de abertura do álbum “Breathe” traz a atenção novamente para a canção, antes que siga para a próxima faixa.” (CCO)

“Com uma sinfonia descompassada de sinos e gongos de um mar de relógios, somos tomados por uma sensação de despertar angustiante, o coração dispara, a respiração se torna ofegante; perdidos, não conseguimos distinguir o sonho da realidade.

O tiquetaquear do relógio se funde aos batimentos do coração, e a sensação de agonia começa a se tornar palpável; porém uma sensação de leveza logo começa a se desenhar no horizonte e uma brisa leve e quente, juntamente com a sensação de estar Cansado de tomar banho de sol nos arremete a um tempo sem preocupações onde as horas parecem se arrastar e o espírito de Peter Pan parece reinar.

E como a volúpia do vento em mudar de sentido, o estado de êxtase se altera, e como se saíssemos de um coma  você descobre; Que dez anos ficaram para trás, E você corre e corre atrás do sol; Mas ele está se pondo; Fazendo a volta para nascer outra vez atrás de você.

Com a sensação de o tempo estar escorrendo por entre os dedos, como a areia em uma ampulheta, a impotência se apodera e somos novamente arremetidos pela agonia, agora você percebe que a Cada ano vai ficando mais curto e Parece não haver tempo para nada, o desespero cresce juntamente com a sensação de desamparo.

O tempo se foi, a música terminou; Pensei que eu tivesse algo mais a dizer; a sensação de impotência e perda nos arrasta para um sentido de depressão, os versos finais de alguém esperando por um milagre se tornam ainda mais pesados como se a esperança tivesse sido a muito deixada para trás, culminando em um ponto final vazio, sem note, sem vida.

Assim como a Alice, aquela do país das maravilhas, o Pink Floyd nos faz sentir em um mundo de sonhos misto com a realidade, é esta tênue e fina linha que divide o real do irreal que torna a degustação deste álbum uma experiência única.

Essa mescla perfeita de elementos sintetizados com a gravação de uma relojoaria inteira despertando, juntamente com sua letra, melodia e arranjo que fazem desta canção um clássico atemporal, épico, colossal, um verdadeiro ícone da música moderna.

 A junção mais que perfeita entre, estrutura, melodia e as imagens surrealistas, inspiradas no trabalho do gênio das artes plásticas Salvador Dali, fazem do videoclipe desta musica uma verdadeira obra de arte, a materialização perfeita da música em imagem” (Tadeu Scharlack Carciolari)

4 – The Great Gig in the Sky

“Se houvesse uma musica para descrever uma catastofre, esta seria a musica. Se houvesse uma musica para descrever o pânico, esta seria a musica.

The Great Gig in the Sky foi gravada com a participação da cantora Clare Tony que não tem seu nome creditado no álbum.  A música surgiu a partir de um ensaio em que Richard Wright insinuou alguns acordes nomeados de “Sequencia da Mortalidade”. Bom daí já da para perceber o porquê desta musica ser a trilha sonora ideal para um meteoro caindo na Terra.” (GK)

Video do quadro do Eduard Munchen:

5 – Money

“Primeira musica do lado B do LP do disco em questão.  Dinheiro é poder meus caros.  Se tinha uma musica em 1973 que representava riqueza, era essa.  Não haviam rappers com seus dentes de ouro e corrente gigantescas douradas penduradas no pescoço, tudo se resumia a um compasso totalmente estranho (7/4), um baixo marcado e a um solo de guitarra rico precedido por um solo de saxofone.  Money… It’s a Gas!” (GK)

6 – Us and Them

O patinho feio do álbum também tem o seu charme musical e simbólico. Ecos, calmaria e algumas levantadas de protestos em bons ou intermináveis sete minutos. Aborda a situação do ser humano na guerra, mas que pode ser transportada e entendida no cotidiano sociológico.

A ironia fina do quarteto filosofa a respeito da existência (who knows which is which and who is who), comportamento (‘I mean good manners don’t cost nothing do they, eh?’) e, mais uma vez, detonar a mesmice (Out of the way, it’s a busy day). (GON)

7 – Any Colour You like. 

“Uma das faixas instrumentais do disco, que consiste em uma parte de sintetizadores seguida de solos de guitarra de David que nessa musica utiliza duas guitarras cheias dos efeitos.

Os mais lúcidos dizem que o titulo da musica, veio de uma resposta que o técnico de estúdio utilizava quando lhe eram feitas perguntas: ‘You can have it any colour you like’, que era uma referência à célebre descrição de Henry Ford do Ford T: ‘Você pode tê-lo na cor que desejar, desde que seja preto.’

Porém, os mais infiltrados no assunto, podem dizer da tal relação com o filme Mágico de Oz.

No filme o cavalo muda de cor aproximadamente 5 vezes, na ordem das cores do álbum. Isso foi feito de propósito pelos produtores usando gelatina no cavalo. E agora qual cor você gosta?” (CCO)

8 – Brain Damage

“A origem: batidas graves de um coração acompanham lento dedilhado que sustenta a passagem de notas que se atravem a suavemente ressonarem, como se estivessem à procura do além-música. Assim a presença imaterial dos solos de Gilmour faz-se manifesta em sua pura liberdade e intensidade sonora.E é adentrando nessa atmosfera metamusical que vemos os Floyds fazerem da loucura matéria poético-existencial: os lunáticos estão no gramado, na sala, em nossas próprias cabeças.

Compõem assim um locus simbólico em que toda a faixa se inscreverá: um dentro-fora que faz entremear o que dizemos e o que nos diz, o que nos vê e o que por nós é visto. Entre backingvocals marcantes, falas e risadas, constroem metáforas que caricaturizam a própria condição da loucura, em que o vínculo entre o Eu e a realidade é perdido, em que sujeito e objeto se confundem e se misturam indiferenciadamente. E é de dentro desta condição que, valendo-se da semântica musical e linguística, eles anunciam um encontro conosco no limite do psicológico: “I’ll see you on the dark side of the moon.” Assim, magistralmente nos remetem ao próprio disco e ao encontro mágico e transcendente com a música, que acaba por ser sempre uma descoberta de si mesmo.

Para nos despedirmos desse encontro, nada melhor que o fragmento de um “louco”. Com vocês, as Pessoas de Fernando:’A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana. Não ter consciência dela, e ela não ser grande, é ser homem normal. Não ter consciência dela,  e ela ser grande, é ser louco. Ter consciência dela, e ela ser pequena, é ser desiludido. Ter consciência dela, e ela ser grande, é ser gênio.’” (Sérgio de Mello Júnior)

9 – Eclipse

A explosão de tudo (assim eclipse é mostrada no clipe), com o efeito de teclado tecnobrega de Rick Wright, é um bom exercício verbal de inglês, conjugando tudo quanto é verbo possível em segunda pessoa no presente. O ato final de Dark Side celebra as ações do ser humano em leve tom de crítica, remetendo ao consumism, à miséria e a mesmice de um modo geral.

O enigma final do insuportável Waters soa esquisito, no entanto brilhante: “Não existe um lado escuro na lua, na realidade ela é toda negra.” Nos acostumamos com ilusões otimistas? Existe algo sombria que sempre nos afasta da verdadeira luz (conhecimento, vida, alegria…), ou simplesmente o The End no trecho de Mágico de Oz. Taí uma pergunta de 40 anos que nem os membros vivos da banda (Rick nos deixou em 2008) irão responder tão cedo, ou ficarão na resposta chavista mexicana: foi sem querer querendo. (GON)

E a pergunta que não quer calar persiste...

E a pergunta que não quer calar persiste…