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Enquanto no Brasil impera a incoerência entre biógrafos e artistas, resolvi apelar para a leitura de um dos artistas mais idolatrados – senão o mais – da história do country e dos rock nos Estados Unidos, Johnny Cash. O livro originalmente foi publicado em 1997, época em que Cash dava seu último tiro de consagração no cenário musical. O cantor faleceu em 2003.

O jornalista Patrick Carr contribuiu para que o texto se ajeitasse e Johnny não economiza em seus feitos na primeira pessoa. Por não usar a linha comum (e às vezes maçante) das biografias – nascimento, infância, primeiros trabalhos, carreira artística e curtindo a velhice – talvez seja o mais interessante do livro. Muitos artistas optam pelo modelo para convencerem os fãs que alçaram o sucesso a duras penas.

Ao invés disso, o menino pobre, nascido e crescido nas fazendas de algodão do Tennessee, preferiu focar as temáticas que mais lhe alegraram e perturbaram em toda sua trajetória aos 65 anos de idade.

Um dos problemas relatados, encarado como trauma, diz respeito ao acidente com o irmão Jack na adolescência. Cash detalha o ocorrido desde a premonição feita por ele momentos antes até o dia do óbito no hospital.

O vício em anfetaminas foi outro aspecto abrangido na obra. Rotina desregulada, temperamento explosivo, depressão e isolamento de entes queridos e o momento de redenção e reviravolta, graças à família da amada June Carter.

A religiosidade do artista pode ser o ‘ponto de equilíbrio’ do livro. Cash depõe todo seu amor a Deus sem que seus relatos pareçam uma pregação barata de igrejas intolerantes. A leitura constante da Bíblia e outros textos sagrados só reforçam tentativas de casar estilos musicais com o gospel.

Parcerias e amizades dão a entender a simplicidade de Johnny para elogiar quem esteve próximo em tempos de disputa saudável entre country e rock a partir dos anos 60. Roy Orbison, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Willie Nelson são apenas alguns entre tantos.

Em uma era de decadência musical em se tratando de conteúdo, vale a leitura e o download das músicas do Man In Black no epílogo. O livro é muito mais que a cinebiografia ‘Johnny & June’, estrelado pelo brilhante Joaquin Phoenix e a insossa Reese Witherspoon.

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Na edição 2013 do Rock In Rio, alguns militantes da velha guarda do rock ainda dão o ar da graça (Metallica, Iron Maiden, Bruce Springsteen), junto com novatos que não deixam por menos (Florence and the Machine, Matchbox Twenty). Só não sei que se passa na cabeça do organizador Roberto Medina pra trazer artistas comerciais para o festival: ou muda o nome para Pop In Rio ou honre-o com bandas decentes!

Insisto na ideia que o último suspiro do festival foi em 2001. Naquela ocasião destinaram somente um dia aos artistas teen – Britney, Sandy & outro, N’Sync e afins. No ano de 2011, o vírus músicaquevendecomletrasfúteis se alastrou geral, e até uma certa Claudia Leitte suspensa por cabos xingando roqueiros tivemos que engolir.

Na terra da Rainha ainda se preserva o maior evento roqueiro – com leves pitadas de pop – do mundo, o Glastonbury (opinião pessoal de um cara que ainda vai presenciar pessoalmente). Bandeiras hasteadas ao vento, artistas que se apresentam em um palco simples em forma de pirâmide, pessoas bêbadas entoando hinos…segue uma lista DE SHOWS COMPLETOS feitos por lá.

OBS 1: o festival sobrevive desde os anos 70.

OBS 2: Atentem-se ao último vídeo, da banda Muse, que se apresenta no Rock In Rio hoje (14/9). Os meninos são bons, e tem como um de seus padrinhos nada mais nada menos que Bono Vox.