Archive for the ‘Palavras de quem sabe’ Category

“Henry David Thoreau escreveu em “Vida sem Princípio”: “O que se chama de política é algo tão superficial e desumano que eu sequer consigo imaginar que tenha a ver comigo”.

E depois, em “A Desobediência Civil”: “Nenhum homem está obrigado à erradicação de qualquer mal, mesmo que seja o mais terrível deles… Mas todo homem tem a obrigação de limpar as mãos e não dar apoio a mal algum”.

A posição do americano Thoreau (1817-1862), construída a partir de uma concepção individualista e extremada da ética —ele foi preso por não pagar impostos a um Estado que aceitava a escravidão—, é inexistente no Brasil, onde impera um pragmatismo escroto.

Acho que seria bom se algum político, artista ou intelectual brasileiro assumisse postura semelhante à de Thoreau. Desse ponto de vista, dar apoio a Aécio ou a Dilma, ao PSDB ou ao PT/PMDB, seria dar apoio à desonestidade e à truculência que constituem a campanha de ambos.

Afinal, dos dois lados existem acordos com políticos desonestos, doadores de campanha para lá de suspeitos (há quem diga que há caixa dois proveniente do desvio de recursos públicos), propagandas eleitorais mentirosas e uma falta de integridade intelectual acachapante.

Dadas as circunstâncias descritas acima, Thoreau bateria de frente com os artistas e intelectuais brasileiros que fizeram questão de declarar seu voto neste ou naquele candidato.

Diria que sacrificaram a sua integridade ética e intelectual em função de escolhas medíocres (quaisquer que sejam elas), feitas à margem dos acontecimentos que realmente importam ao país.

DISPUTAS

E que acontecimentos seriam esses? Thoreau era amante do individualismo radical. Ele valorizava, acima de tudo, atitudes advindas do inconformismo ético e moral. À cabeça me vêm dois juízes: Sergio Moro e Joaquim Barbosa. Foram eles que, para horror da nossa classe política, documentaram como a banda toca no governo, no Congresso e nas empresas estatais.

Pergunto: será que a banda toca do mesmo jeito nos Estados e nos municípios? Será que no Brasil, fornecer para o governo ou para empresas estatais é assinar certificado de suspeição?

Uma coisa é certa: a cada ciclo eleitoral, seja no âmbito federal, estadual ou municipal, no Executivo ou no Legislativo, há no Brasil uma disputa ferrenha por posições que conferem, para este ou para aquele grupo político, o poder de influir nas decisões relativas aos gastos públicos.

Disputa-se, sobretudo, o poder de indicar (para cargos-chave) gente especializada em aumentar o “preço” de obras, em receber “kick-back” (propina) de fornecedores e em distribuir recursos via doleiro. É assim que se irriga o caixa dois dos partidos, é assim que se compra apoio político (mensalões) e é assim que se financiam as próximas eleições.

Tenho a impressão de que, sabedor de tudo isso, Thoreau conclamaria os brasileiros a não comparecer às urnas. Teria a propaganda eleitoral gratuita e os debates do segundo turno como argumentos a favor da sua causa. Perguntaria: “E se os dois lados tiverem razão quando falam um do outro?”.

A quem retrucasse que votar fortalece a democracia, Thoreau responderia: as mudanças não virão desta política, virão de fora –de um processo de desconstrução da mesma, movido por indivíduos sem filiação partidária.

Serão os juízes, os jornalistas, os intelectuais inconformados que, estimulando a indignação de seus compatriotas, farão a diferença no longo prazo.

Thoreau escreveu em a “Escravidão em Massachusetts”: “O futuro do país não depende de como você vota nas eleições”¦ Depende de que tipo de homem sai da sua casa todos os dias”.

Mas, como somos obrigados a votar, talvez só nos reste mesmo o pragmatismo escroto –a opção de, engolindo nossa convicções éticas, optar pelo mal menor (cada um tem o seu) e associar nossos nomes aos PTs, PSDBs ou PMDBs da vida.

Se é isso, então vamos lá que hoje é dia de eleição: Marcelo Freixo e cia. fecham com Dilma. Marina Silva e cia. com Aécio. Eu fecho com o Thoreau. E você, fecha com quem?”

(José Padilha)

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(Este artigo é dedicado aos meus amigos judeus assassinados pelas ditaduras latinoamericanas apoiadas por Isarel)

Para se justificar, o terrorismo de estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe pretextos. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, acabará por multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Nem sequer têm direito a eleger seus governantes. Quando votam em quem não devem votar são castigados. Gaza está sendo castigada. Converteu-se em uma armadilha sem saída, desde que o Hamas ganhou limpamente as eleições em 2006. Algo parecido havia ocorrido em 1932, quando o Partido Comunista triunfou nas eleições de El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e, desde então, vivem submetidos a ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.

São filhos da impotência os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com desajeitada pontaria sobre as terras que foram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à margem da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficaz guerra de extermínio está negando, há muitos anos, o direito à existência da Palestina.

Já resta pouca Palestina. Passo a passo, Israel está apagando-a do mapa. Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão corrigindo a fronteira. As balas sacralizam a pilhagem, em legítima defesa.

Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que a Polônia invadisse a Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que o Iraque invadisse o mundo. Em cada uma de suas guerras defensivas, Israel devorou outro pedaço da Palestina, e os almoços seguem. O apetite devorador se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico que geram os palestinos à espreita.

Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que burla as leis internacionais, e é também o único país que legalizou a tortura de prisioneiros.

Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não conseguiu bombardear impunemente ao País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico pôde arrasar a Irlanda para liquidar o IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou essa luz verde provém da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional de seus vassalos?

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado mundo, sabe a quem mata. Não mata por engano. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de “danos colaterais”, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez “danos colaterais”, três são crianças. E somam aos milhares os mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humano, que a indústria militar está ensaiando com êxito nesta operação de limpeza étnica.

E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. Para cada cem palestinos mortos, um israelense. Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos convidam a crer que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos convidam a acreditar que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que aniquilou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada “comunidade internacional”, existe? É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os Estados Unidos adotam quando fazem teatro?

Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial se ilumina uma vez mais. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações altissonantes, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade. Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam as mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama alguma que outra lágrima, enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caçada de judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinas, que também são semitas e que nunca foram, nem são, antisemitas. Eles estão pagando, com sangue constante e sonoro, uma conta alheia.

(Eduardo Galeano)

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“Contos de fadas começam com “era uma vez” porque valem para qualquer época. O 7 a 1 do Mineirão terá que ser explicado por gerações e gerações.

Precisamos de um “era uma vez”. “Deutschland, ein Sommermärchen” (Alemanha, um conto de fadas de verão) é o documentário mais bem-sucedido da história do cinema alemão. O diretor Sönke Wortmann foi autorizado a mostrar os bastidores da Copa-2006 onde a Alemanha era anfitriã e terminou em terceiro lugar. Por que o recorde de bilheteria? Porque ali se deu a reinvenção do futebol germânico. Derrotada pelo Brasil em 2002, a Alemanha entendeu que futebol-força já era, tomou coragem e decidiu renovar tudo.

Não é coisa de conto de fadas? O 7 a 1 começou no penta! Os figurantes de “Sommermärchen” são os protagonistas do Mineirazo. Schwensteiger, inexperiente e tímido em 2006, virou líder do massacre de 2014. Klose, agora artilheiro máximo das Copas, assim como Boateng, Özil, Khedira e Podolski não nasceram na Alemanha. Estão no time graças a um projeto cuidadosamente executado para injetar ginga gringa no escrete cadeira-
dura com talentos de dupla nacionalidade.

Repare a ironia. Fada vem de fatum, destino, fatalidade. Enquanto os brasileiros se trancam numa granja na serra gelada, os alemães se divertem e se alongam com professor de yoga numa praia ensolarada da Bahia onde Cabral descobriu o Brasil. Felipão improvisou uma psicóloga, não remunerada. Joachim Löw conta com uma equipe de psicólogos, cientistas e estatísticos que preparam dossiês de 500 páginas sobre cada adversário.

Não é hora de mudar time ou técnico. O Brasil travou. A única coisa 100% aprovada na Copa-2014 é a encantadora hospitalidade do povo brasileiro. A hora é de atualizar o sistema como fazemos com computadores ultrapassados. #VaiBrasil”

(Marcelo Tas)

 

“Vi vários colegas circulando correntes conspiratórias pela internet após “A Queda”, como ficou conhecido o episódio 7×1 do dia 8 de julho. Tolos. Mal sabem eles que a realidade é muito mais terrível do que essas tentativas falsas de causar burburinho político. Então, decidi contar.

Tomei um café, na noite desta quinta, com uma amiga que ainda estava com ressaca moral por conta do jogo no Mineirão. Ficamos conversando até tarde. Quando retornei, já a altas horas da madrugada, havia um envelope pardo na soleira da minha porta. Por estar cheio, o entregador não conseguiu passá-lo por baixo e ele estava lá, de pé, sem remetente, apenas com meu nome grafado de forma incorreta com “c” ao invés de “k”. Um erro comum, a bem da verdade.

Ao abrir, uma série de documentos, planilhas, cópias de ingressos da Copa do Mundo, fotos de Fernando de Noronha, algumas fitas K7 (pensei, aliás, que elas estavam extintas), mapas em que a Zona Oeste do Rio de Janeiro aparece destacada do resto do país e um DVD.

Uma carta impressa de quatro páginas, provavelmente em um ordinário Times New Roman 12, explicava que aquele material deveria ser usado com sabedoria. O remetente afirmou que confiava a mim o embrulho por causa dos anos em que venho cobrindo, com dignidade, o futebol.

O que não fez sentido. Porque nunca cobri futebol na vida.

Ao lê-la até o final, senti um frio subir pela espinha – daqueles que nós jornalistas sentimos quando estamos diante de nitroglicerina pura. As pernas bambearam e desabei em uma cadeira. A carta explicava que aquilo se tratava do maior escândalo do futebol mundial de todos os tempos. Minha mão tremeu e deixou cair o papel. Fiquei uns bons minutos sem ter forças para abaixar e apanhá-lo.

O DVD traz imagens de um homem alto e calvo entregando uma mala de dinheiro a outro homem também alto e totalmente careca. As planilhas traziam números de contas em paraísos fiscais e as fotos exibiam pessoas de terno rindo enquanto falavam de “goleada histórica”.

Não consegui ler todo o material ainda, mas acho que o povo brasileiro tem direito a saber que a pior derrota futebolística de sua história pode ter sido fruto de uma conspiração. Só assim, talvez, possamos voltar a dormir à noite, trocando a tristeza de um impossível 7 a 1 pela revolta contra as maracutaias políticas. Quiçá acordar o gigante.

Por isso, resumo a explicação trazida na carta. Ela deixa vários buracos, eu sei, mas, por ora, é o que posso revelar:

Uma semana antes de começar a Copa do Mundo, um emissário do Palácio do Planalto reuniu-se com a cúpula da CBF, a comissão técnica e um representante dos jogadores da seleção a portas fechadas em um escritório na praia do Botafogo. Trazia uma oferta presidencial: de que cada um deles teria isenção de impostos pelo resto de suas vidas se ganhassem a Copa, o que – segundo ele – ajudaria a reeleição. O PT iria não apenas aprovar uma lei garantindo isso aos “campeões do Hexa” como também depositaria um adicional de R$ 10 milhões na conta de cada jogador, além de um Honda Civic preto. Por fim, cada um também teria direito a um aperto de mão, um autógrafo e uma foto com o ex-presidente Lula.

Ninguém especificou de onde viriam os recursos. A frase “dane-se que é dinheiro de creches” foi ouvida de relance em uma das conversas reservadas ao final da reunião. Quando saíram, a assistente do emissário palaciano avisou que o senhor Yuich Nishimura estava assobiando impacientemente enquanto aguardava.

A oposição percebeu (graças à alta definição das TVs em HD) que havia algo errado ao constatarem que Dilma Rousseff sorriu de canto de boca quando mandaram que ela tomasse naquele lugar na estreia da seleção no Itaquerão. Leitura labial do mesmo técnico contratado pela Globo conseguiu captar algo como “Sabem de nada, inocentes”.

Descobriu, em pouco tempo, a existência da “mala branca”. E no dia 16 de junho, dois representantes das campanhas de Aécio Neves, do PSDB, e de Eduardo Campos, do PSB, ligaram para o representante dos jogadores. Pediram uma reunião rápida.

Nela, em um boteco pé-sujo ao lado de onde a seleção estava concentrada, solicitaram uma caracu com ovo e canela e dois uísques. Acreditando que um vexame prejudicaria a reeleição, ofereceram sua “mala preta”: o dobro do que o PT prometeu, desde que não houvesse classificação para as oitavas. E que, uma vez eleitos, Aécio ou Campo, não apenas daria isenção tributária vitalícia, mas também permitiria a nacionalização de quaisquer valores depositados no exterior sem imposto algum. Por fim, ofereceram fotos com Fernando Henrique e Marina Silva – mas o representante dos jogadores rapidamente dispensou essa parte da proposta.

Na concentração da seleção, os jogadores não sabiam o que fazer. Parte achou que deveria honrar o acordo com o governo. Parte viu na proposta da oposição uma chance maior. E com um time dividido, a seleção entrou para o jogo do México, quando empataram em 0 a 0.

O único a não querer participar do esquema foi Jô e, por isso, ganhou a antipatia do técnico. Felipão chegou a revelar a jornalistas mais próximos que havia se arrependido de convocar um jogador – que seria, claro, ele.

O pânico se instalou no Planalto. Dilma, em um acesso de raiva, teria mandado sustar o cheque-caução que tinha deixado com a CBF, mas foi demovida por Gilberto Carvalho.

Vendo o risco de ficar fora do mundial precocemente, o governo federal aumentou o cacife, acrescentando um churrascão com Lula com a presença de grupos de pagode da década de 90. O que foi comemorado na Granja Comary.

Em meio às negociação e com medo de ser inquirido sobre o assunto, o técnico da seleção brasileira passou a usar os serviços de um sósia – Wladimir de Castro Palomo – que assumiu seu lugar em aparições públicas. O jornalista Mario Sérgio Conti foi o primeiro a encontrá-lo em um avião entre o Rio e São Paulo, mas não o único. A última vez que Palomo foi usado foi na coletiva dada à imprensa no dia 09 de julho, um dia após a derrota no Mineirão, em que o sósia não falou coisa com coisa. Felipão foi visto, no mesmo horário, em um Centro de Tradições Gaúchas de São Borja.

No intervalo do jogo do Chile, veio uma bomba: um jornalista estava apurando o “leilão” com base em uma denúncia anônima. O time se desestruturou. Com muita dificuldade, conseguiram levar a disputa para as penalidades. Com medo de ser descoberto, Thiago Silva era o mais abalado e chorava compulsivamente a ponto de pedir para não bater. Coube a Júlio César, que participa de um célula do partido comunista revolucionário canadense em Toronto, ir para o sacrifício e garantir que o país passasse às quartas.

O nervosismo latente no ônibus da seleção só desapareceu quando chegou o recado que esse problema estava “resolvido”. Houve calma, mas também temor, pois ninguém sabe como isso de fato foi resolvido. A notícia de acidentes de carro envolvendo jornalistas e da deportação de alguns deles deixou todos apreensivos. Sentiram que a mão invisível do Estado era mais terrível do que imaginavam. Podia estar em todos os lugares.

Para desviar a atenção pública, o governo lançou a Operação Jules Rimet. Sob a justificativa de acabar com um esquema ilegal de venda de ingressos envolvendo a própria Fifa, a Polícia Federal, na verdade, jogou uma cortina de fumaça sobre o caso. Uma isca perfeita para os jornalistas investigativos esportivos que se entreteriam com as descobertas e nem olhariam para a negociação. Figurantes do Zorra Total e de A Praça é Nossa foram contratados para serem “presos” na frente das câmeras como executivos de empresas que nunca ninguém ouviu falar.

Ao mesmo tempo, a carta insinua que o time da Colômbia teria recebido recursos para, uma vez que sua derrota se desenhasse próxima, incapacitar Neymar. O acordo teria sido fechado com o chefe de Estado daquele país, sob a promessa da importação de café colombiano e de DVDs da Shakira a partir de 2015 – caso a oposição seja eleita. Não diz quem teria articulado isso com os colombianos e quanto Zuñiga, que teria executado o plano, ganhou. Também não há documentos tratando do assunto, o que leva a crer que essa parte da história não está embasada em fatos reais.

Dois dias antes da semifinal, chegaram as últimas propostas. Um ministro da República ofereceu a concessão, por 100 anos, de Fernando de Noronha, Lençóis Maranhenses e um terceiro destino turístico à escolha dos envolvidos – que fariam com eles o que quisessem, nos mesmos moldes da antiga administração de Hong Kong pelos britânicos. E afirmou que atuaria diretamente junto ao Vaticano para a beatificação dos jogadores ainda em vida – além, é claro, das promessas financeiras já acordadas, fotos e churrascão com pagode.

Um ex-ministro tucano trouxe a proposta da oposição: a independência da Barra da Tijuca como um país a ser administrado pelos presidentes da CBF. O próprio Brasil articularia junto à ONU a admissão desse membro e firmaria um acordo para que esse novo país continuasse administrando o futebol do vizinho. Os jogadores também teriam direito a uma porcentagem nos royalties do pré-sal, determinada por lei, ao lado da educação, e uma foto com o Luciano Huck. Mais uma vez a oferta da foto foi declinada.

Estranhamente, já no final da carta apareceu uma estranha proposta do presidenciável e pastor Everaldo, prometendo que todos iriam para o céu se perdessem e para inferno caso não dessem uma prova contumaz de sua dedicação ao Senhor, largando o futebol no meio do campeonato.

Muito, muito assustada com a possibilidade de herdar os moradores da Barra da Tijuca, ao que tudo indica a CBF optou pela proposta governamental. Enfim, os jogadores fariam de tudo para golear a Alemanha.

A carta se encerra de maneira abrupta, com uma frase sem nexo sobre racionamento de falta de água e de energia elétrica no segundo semestre e a presença de Teletubbies.

Contudo, na cópia do contrato assinado entre governo, jogadores, comissão técnica e CBF, documento que compõe o dossiê a mim confiado, a última cláusula exige que, para o acordo ter valor, a entrada de Mick Jagger deveria ser terminantemente proibida no Mineirão.

Caso contrário, jogadores e técnico não teriam como se responsabilizar com o que poderia acontecer.”

(Leonardo Sakamoto)

 

Via http://www.pragmatismopolitico.com.br/

A Síndrome do Coitadismo atinge a metade da população e reflete a incapacidade dos seres humanos de tomarem os rumos de suas vidas e buscarem a realização de seus sonhos.

Conversamos com Maurício Sampaio, especialista em orientação vocacional e profissional, coach e fundador do Instituto MS de Coaching para esclarecer mais sobre o tema.

Confira a entrevista!

A Síndrome do Coitadismo acomete boa parte da população, por qual motivo as pessoas preferem assumir o papel de vítimas do que assumir os rumos da própria vida?

R: Muitas pessoas adotam essa posição como uma muleta para não andar mais rápido em direção a seus objetivos ou cumprirem o que é preciso. E isso acontece na vida pessoal e profissional.

Cansamos de nos deparar com pessoas falando mal do seu trabalho, emprego, da esposa, dos filhos. Talvez você já tenha perguntado a alguém: “Oi, tudo bem?”. E a pessoa respondeu: “Tá indo…”. O “tá indo” demonstra a falta de controle da própria vida.

 

Muita gente mantém relacionamentos, seja pessoais ou profissionais, mesmo sabendo que já estão falidos, por qual motivo?

 Essas pessoas preferem evitar sair da chamada “zona de conforto”, aonde elas se sentem mais seguras. Já conhecem os atalhos, já sabem aonde pisar.

Isso é uma tendência de boa parte das pessoas, inclusive eu também faço parte disso. O nosso cérebro é muito inteligente, ele evita a dor e aprova fielmente o prazer.

É o que acontece com um relacionamento ruim. Para mudar isso, é preciso aceitar um modelo de relacionamento, e para que isso aconteça é necessário acostumar nosso cérebro ao novo. E essa transição, por mais benéfica que seja, causa dor.

Um exemplo clássico são casais que se suportam durante anos, pois acreditam que “ruim com ele/ela, pior sem”. E na vida corporativa isso também acontece.

 

O que os profissionais devem assumir para mudar este cenário pessimista e sem energia?

Para começar a mudança é necessário ser honesto consigo não esperar chegar ao fundo do poço emocional. Hoje, cerca de 80% das pessoas estão infelizes com a sua vida profissional, mas elas relutam em mudar, justificando a falta de novas oportunidades, a dificuldade de gerar receitas, enfim, são várias as justificativas. Outras reclamam de seus chefes e continuam trabalhando com eles, e há as que reclamam dos seus negócios e todos os dias acordam e vão para a empresa trabalhar.

O problema disso é que essas pessoas correm o sério risco de adoecerem e aí o prejuízo é maior.

Talvez você, que esteja passando por isso agora, pense: é mais fácil escrever dando conselhos. Mas eu tive que justamente passar por esse tipo de situação para aprender que é possível pilotar a própria vida. É fácil? Não, porém é preciso encarar!

Aproveito para dar um conselho valioso: procure profissionais que possam te auxiliar, pois eu fiz sozinho, funcionou, mais foi muito doído. Talvez, se eu tivesse uma pequena ajuda, as coisas teriam sido mais fáceis e eu já estaria desfrutando dessa ótima vida que possuo hoje.

* Maurício Sampaio é especialista em orientação vocacional e profissional, coach e fundador do InstitutoMS de Coaching.  É autor dos livros “Coaching de Carreira”, “Escolha Certa” e “Influência Positiva – Pais & Filhos: construindo um futuro de sucesso”.

Fonte: Fuja da Síndrome do Coitadismo | Portal Carreira & Sucesso 

 

“É nítida a intenção, pura e simplesmente, de denegrir os povos árabes (e os muçulmanos).

Não é forçoso concluir que foi uma matéria comprada (talvez pelos sionistas e/ou norte-americanos… Ou até mesmo alguma maioria incomodada com o crescimento do Islam no Brasil), para ser veiculada no primeiro dia do nosso mês Sagrado de Ramadan.

O interessante é ver que antes de veicularem a matéria sobre “mulheres oprimidas” no Líbano, mostraram com tom de festa as mulheres brasileiras na Copa do mundo, bebendo, deixando o gringos “fazerem a festa” e algumas que ganhavam R$2.000,00 por semana agora estão ganhando R$7.000,00 vendendo seu corpo em programas rápidos…

Convenhamos, exploração e agressão ocorre no mundo inteiro, e por vários fatores diferentes, como por exemplo, álcool e drogas, distúrbios mentais/psicológicos, poder econômico, entre outros… Mas generalizar os motivos como sendo religiosos é o cúmulo da ignorância!!!

Garantimos que nossas mulheres muçulmanas são muito bem tratadas, com dignidade, amor, respeito e carinho, assim como foi prescrito no Alcorão e por nosso amado Profeta Muhammad (que a paz de Allah esteja sobre ele).

Fazemos agora um desafio ao Fantástico, que apure nas portas dos tribunais o número de mulheres agredidas aqui no Brasil, e divulgue a religião dos agressores. Também quantos pais estupram as próprias filhas, quais suas religiões. Traficantes que destroem famílias inteiras. Políticos que desviam verbas enquanto o povo morre nas portas dos hospitais… Qual a religião deles?

Quem conhece o islam, vive o islam, e age conforme seus preceitos, sabe o por que é a religião que mais cresce no mundo! Deus é o Maior!”

(Youssef Hijazi Zaglhout)

islã

“Ele não faz trabalhos domésticos. Não tem gosto nem respeito por trabalhos manuais. Se puder, atrapalha o trabalho de quem pega no pesado. Aprendi isso em criança: só enfia o pé na lama com gosto quem nunca teve o desgosto de ir para o tanque na área de serviço, depois, esfregar o tênis ou a chuteira debaixo de água fria. Só deixa um resto de bebida secar no fundo de um copo quem nunca teve que fazer o malabarismo de meter a mão lá dentro com uma esponja, com a barriga encostada na pia, para tentar lavá-lo.

Trata-se de uma tradição lusitana, ibérica, que vem sendo reproduzida aqui na colônia desde os tempos em que os negros carregavam em barris, nas costas, a toilete dos seus proprietários, e eram chamados de “tigres” – porque os excrementos lhes caíam sobre as costas, formando listras que lembravam a pelagem do animal. O perfeito idiota de classe média brasileiro, ou PICMB, não ajuda em casa também por influência da mamãe, que nunca deixou que ele participasse das tarefas – nem mesmo por ou tirar uma mesa, nem mesmo arrumar a própria cama. Ele atira suas coisas pela casa, no chão, em qualquer lugar, e as deixa lá, pelo caminho. Não é com ele. Ele foi criado irresponsável e inconsequente. É o tipo de cara que pede um copo d’água deitado no sofá. E não faz nenhuma questão de mudar. O PICMB é um especialista em não fazer, em fazer de conta, em empurrar com a barriga, em se fazer de morto. Ele sabe que alguém fará por ele. Então ele se desenvolveu um sujeito preguiçoso. Folgado. Que se escora nos outros, não reconhece obrigações e que adora levar vantagem. Esse é o seu esporte predileto – transformar quem o cerca em seus otários particulares.

O tempo do perfeito idiota de classe média brasileiro vale mais que o das demais pessoas. É a mãe que fura a fila de carros no colégio dos filhos. É a moça que estaciona em vaga para deficientes ou para idosos no shopping. É o casal que atrasa uma hora num jantar com os amigos. A lei e as regras só valem para os outros. O PICMB não aceita restrições. Para ele, só privilégios e prerrogativas. Um direito divino – porque ele é melhor que todos os outros. É um adepto do vale tudo social, do cada um por si e do seja o que deus quiser. Ele só tem olhos para o próprio umbigo e os únicos interesses válidos são os seus.

O PICMB é o parâmetro de tudo. Quanto mais alguém for diferente dele, mais errado esse alguém estará. Ele tem preconceito contra pretos, pardos, pobres, nordestinos, baixos, gordos, gente do interior, gente que mora longe. E ele é sexista para caramba. Mesma lógica: quem não é da sua tribo, do seu quintal, é torto. E às vezes até quem é da tribo entra na moenda dos seus pré-julgamentos e da sua maledicência. A discriminação também é um jeito de você se tornar externo, e oposto, a um padrão que reconhece em si mas de que não gosta. É quando o narigudo se insurge contra narizes grandes. O PICMB adora isso.

O perfeito idiota de classe média brasileiro vai para Orlando sempre que pode. Seu templo, seu centro de peregrinação, é um outlet na Flórida. Acha a Europa chata. E a Ásia, um planeta esquisito com gente estranha e amarela que não lhe interessa. Há um tempo, o PICMB descobriu Nova York – para onde vai exclusivamente para comprar. Ficou meia hora dentro do Metropolitan, uma vez, mas achou aquilo aborrecido demais. Come pizza no Sbarro. Joga lixo no chão. Só anda de táxi – metrô, com a galera, nem em Manhattan. Nos anos 90, comprava camiseta no Hard Rock Cafe. Hoje virou um sacoleiro em lojas com Abercrombie & Fitch e Tommy Hillfiger. Depois de toda a farra, ainda troca cotoveladas no free shop para comprar uísque, perfume, chocolate e maquiagem. O PICMB é, sobretudo, um cara cafona. Usa roupas de polo sem saber o lado por onde se monta num cavalo. Nem sabe que aquelas roupas são de polo. Ou que polo é um esporte.

O PICMB adora pagar caro. Faz questão. Não apenas porque, para ele, caro é sinônimo de bom. Mas, principalmente, porque caro é sinônimo de “cheguei lá” e “eu posso” e “veja o quanto eu paguei nesse relógio ou nessa calça da Diesel”. Ele exibe marcas como penduricalhos numa árvore de natal. É assim que se mostra para os outros. Se pudesse, deixaria as etiquetas presas aos itens do vestuário e aos acessórios que carrega. O PICMB é jeca. É brega. Compra para se afirmar, para compensar o vazio e as frustrações, para se expressar de algum modo. O perfeito idiota de classe média brasileiro não se sente idiota pagando 4 000 reais por um console de vídeo game que custa 400 dólares lá fora. Nem acha um acinte pagar 100 000 reais por um carro que vale 25 000 dólares. Essa é a sua religião. Ele não se importa de ficar no vermelho – a preocupação com ter as contas em dias é para os fracos. Ele é o protótipo do novo rico burro. Do sujeito que acha que o bolso cheio pode compensar uma cabeça vazia.

O PICMB é cleptomaníaco. Sua obsessão por ter, e sua mania de locupletação material, lhe fazem roubar roupão de hotel e garrafinha de bebida do avião e amostra grátis de perfume em loja de departamento. Ele pega qualquer amostra de produto que esteja sendo ofertada numa degustação no supermercado. Mesmo que não goste daquilo. O PICMB adora boca livre e hotéis “all inclusive”. Ele adora camarote – quando ele consegue sentir o sangue azul fluindo em suas veias. Ele é a tradução perfeito do que é um pequeno burguês.

O perfeito idiota de classe média brasileiro entende Annita. Vibra com Latino. Seu mundo cabe dentro do imaginário do sertanejo romântico. Ele adora shows megaproduzidos, com pirotecnia, luzes e muita coreografia, cujos ingressos custem mais de 500 reais – mesmo que ele não conheça o artista. Ele não se importa de pagar uma taxa de conveniência escorchante para comprar esse ingresso da maneira mais barata para quem lhe vendeu – pela internet.

E o PICMB detesta ler. Comprou “50 Tons” para a mulher. E um livro de autoajuda para si mesmo. Mas agora que a novela está boa ficou difícil achar tempo para ler.”

zecarioca

(Adriano Silva)

OBS: existe uma versão mais atualizada na edição desse mês (julho 2014) da Revista Superinteressante