Archive for the ‘Momento Rage!’ Category

“Henry David Thoreau escreveu em “Vida sem Princípio”: “O que se chama de política é algo tão superficial e desumano que eu sequer consigo imaginar que tenha a ver comigo”.

E depois, em “A Desobediência Civil”: “Nenhum homem está obrigado à erradicação de qualquer mal, mesmo que seja o mais terrível deles… Mas todo homem tem a obrigação de limpar as mãos e não dar apoio a mal algum”.

A posição do americano Thoreau (1817-1862), construída a partir de uma concepção individualista e extremada da ética —ele foi preso por não pagar impostos a um Estado que aceitava a escravidão—, é inexistente no Brasil, onde impera um pragmatismo escroto.

Acho que seria bom se algum político, artista ou intelectual brasileiro assumisse postura semelhante à de Thoreau. Desse ponto de vista, dar apoio a Aécio ou a Dilma, ao PSDB ou ao PT/PMDB, seria dar apoio à desonestidade e à truculência que constituem a campanha de ambos.

Afinal, dos dois lados existem acordos com políticos desonestos, doadores de campanha para lá de suspeitos (há quem diga que há caixa dois proveniente do desvio de recursos públicos), propagandas eleitorais mentirosas e uma falta de integridade intelectual acachapante.

Dadas as circunstâncias descritas acima, Thoreau bateria de frente com os artistas e intelectuais brasileiros que fizeram questão de declarar seu voto neste ou naquele candidato.

Diria que sacrificaram a sua integridade ética e intelectual em função de escolhas medíocres (quaisquer que sejam elas), feitas à margem dos acontecimentos que realmente importam ao país.

DISPUTAS

E que acontecimentos seriam esses? Thoreau era amante do individualismo radical. Ele valorizava, acima de tudo, atitudes advindas do inconformismo ético e moral. À cabeça me vêm dois juízes: Sergio Moro e Joaquim Barbosa. Foram eles que, para horror da nossa classe política, documentaram como a banda toca no governo, no Congresso e nas empresas estatais.

Pergunto: será que a banda toca do mesmo jeito nos Estados e nos municípios? Será que no Brasil, fornecer para o governo ou para empresas estatais é assinar certificado de suspeição?

Uma coisa é certa: a cada ciclo eleitoral, seja no âmbito federal, estadual ou municipal, no Executivo ou no Legislativo, há no Brasil uma disputa ferrenha por posições que conferem, para este ou para aquele grupo político, o poder de influir nas decisões relativas aos gastos públicos.

Disputa-se, sobretudo, o poder de indicar (para cargos-chave) gente especializada em aumentar o “preço” de obras, em receber “kick-back” (propina) de fornecedores e em distribuir recursos via doleiro. É assim que se irriga o caixa dois dos partidos, é assim que se compra apoio político (mensalões) e é assim que se financiam as próximas eleições.

Tenho a impressão de que, sabedor de tudo isso, Thoreau conclamaria os brasileiros a não comparecer às urnas. Teria a propaganda eleitoral gratuita e os debates do segundo turno como argumentos a favor da sua causa. Perguntaria: “E se os dois lados tiverem razão quando falam um do outro?”.

A quem retrucasse que votar fortalece a democracia, Thoreau responderia: as mudanças não virão desta política, virão de fora –de um processo de desconstrução da mesma, movido por indivíduos sem filiação partidária.

Serão os juízes, os jornalistas, os intelectuais inconformados que, estimulando a indignação de seus compatriotas, farão a diferença no longo prazo.

Thoreau escreveu em a “Escravidão em Massachusetts”: “O futuro do país não depende de como você vota nas eleições”¦ Depende de que tipo de homem sai da sua casa todos os dias”.

Mas, como somos obrigados a votar, talvez só nos reste mesmo o pragmatismo escroto –a opção de, engolindo nossa convicções éticas, optar pelo mal menor (cada um tem o seu) e associar nossos nomes aos PTs, PSDBs ou PMDBs da vida.

Se é isso, então vamos lá que hoje é dia de eleição: Marcelo Freixo e cia. fecham com Dilma. Marina Silva e cia. com Aécio. Eu fecho com o Thoreau. E você, fecha com quem?”

(José Padilha)

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“É praticamente impossível ser contra a reação de Daniel Alves. Diante do de sempre, ele respondeu com o inusitado. Atirar bananas e imitar macacos são ofensas racistas nada surpreendentes nos estádios de futebol, por mais que devam causar espanto. Acontecem com certa frequência na Europa e nem são privilégio do Velho Mundo, como bem o sabem os jogadores Tinga e Grafite. Superando a mesmice, o deboche espirituoso de Dani Alves, ao devorar o alimento, construiu um momento único, original, desses que já nascem com lugar garantido na eternidade.

Se a altivez debochada de Alves encanta, é difícil ver com o mesmo otimismo a reação de celebridades como Luciano Huck e Angélica, macaqueando (com o perdão do termo) o atacante Neymar Jr. Não apenas por revelar a fome de lucro da indústria cultural, capaz de transformar as manifestações mais espontâneas do indivíduo em mercadorias rentáveis, mas sobretudo pela suposta mensagem antirracismo propagada por tais personalidades.

O pensador Theodor Adorno, lá nos anos 60, advertia seus leitores de como as estrelas vazias são fundamentais para que a Indústria Cultural (termo cunhado por ele e por Horkheimer) consiga manipular seus consumidores. Neymar, Angélica e Huck, para citar três casos, são belos exemplos: nenhum dos três jamais debateu o racismo; nos programas de auditório de Angélica e Huck, jamais houve qualquer preocupação em destacar figuras negras; o próprio Neymar, em entrevista a um importante jornal paulista, declarou nunca ter sofrido racismo justamente por não ser “preto” – um caso de, como tenho dito entre amigos, “não negro por opção”.

Normalmente alheias ao tema, várias celebridades veem na projeção do gesto de Dani Alves uma chance perfeita de, sem entrar em qualquer debate complexo e arriscado, “apoiar uma causa” simpática, colocar-se em evidência e, por fim, seguir sendo personalidades vazias, sem polêmica, sem questionamento, prontas para promover a publicidade de um banco, de uma empresa de telefonia celular ou de qualquer outro produto que as contrate. Não por acaso, ao que tudo indica, a “campanha” que nos chama a todos de “macacos” parece ter sido orquestrada por uma importante agência de publicidade.

Além da pouca sinceridade, que para espíritos românticos já seria motivo suficiente para repudiar Neymar e todo o bando, ainda há problema mais grave: a possibilidade de que o “comer a banana” seja visto com um “deixa pra lá”. No caso de Dani Alves, falamos de um atleta sob pressão: o Barcelona não vem numa campanha das melhores, seu time estava perdendo a partida e, como de costume, as câmeras do mundo estavam voltadas para ele. Ser agredido em público, nessas condições, torna difícil qualquer reação à altura e ele, com presença de espírito invejável e apurada técnica, “tirou de letra”. Contudo, caso a atitude dele se torne “o” exemplo a ser seguido, corre-se o risco de que sejam repudiadas medidas mais duras contra o racismo, necessárias, por exemplo, quando se considera que as vítimas da violência policial são Amarildos, Cláudias, DGs, não os Hucks de olhos claros.

O discurso de que “o racismo está na vítima” e basta “saber ignorar” aplaude Dani Alves de pé, ao mesmo tempo em que não reconhece a defesa das cotas no ensino superior, ignora a desigualdade racial e tergiversa sobre a “democracia racial” em que vivemos.

Em resumo, se por um lado Daniel Alves deu, nas condições a que estava submetido, provavelmente a mais elegante e contundente resposta que torcedores racistas já receberam, por outro é preciso cautela. A sede de transformar tudo em business e a hipocrisia dos que creem em uma suposta igualdade racial (que, se é total no aparato biológico, é nenhuma na vida social) querem transformar o gesto libertador do atleta em mais uma arma de opressão. Mas não deixaremos. Não somos bananas.”

(Henrique Braga) – site http://www.brasilpost.com.br/

Somos todos Lou Reed!

Somos todos Lou Reed!

Não, nada de pachecagem, longe do ufanismo ou mesmo de qualquer pingo de ingenuidade. O Brasil realmente é um país complicado, com os mais sérios problemas estruturais, sociais, culturais, humanos, e tantos outros adjetivos possíveis. Pretendo esclarecer uma percepção que vem causando incômodo cada vez maior, proveniente da enxurrada de posts e comentários na rede de gente se declarando envergonhada de ser brasileiro. Às vésperas da Copa do Mundo, a expressão desse sentimento chega quase a virar clichê, sempre acompanhada de algum vídeo que mostra nossas mazelas, de alguma matéria que tenha saído na mídia estrangeira, de algum editorial do NY Times, sei lá. “Vergonha de ser brasileiro” é o mote do momento. A percepção que tive é a seguinte: o problema é que acreditamos que o Brasil mudou.

Resumindo o argumento (para depois destrinchar cada premissa), defendo que o sentimento vexatório tem origem na distorcida expectativa de vermos uma realidade de Brasil mudado que não mudou, ou mudou muito menos do que nos querem fazer acreditar por meio da propaganda oficial, da mídia convencional, que somos BRICS, quase primeiro mundo, uma pujança de desenvolvimento econômico, “Os olhos do mundo estão voltados para nós”, entre tantos outros chavões que podem ser sintetizados no slogan público mais bem sucedido dos últimos anos: “Orgulho de ser brasileiro”. É um conjunto discursivo irresistível, dentro do qual convivemos em nosso dia a dia. A verdade nos filmes, novelas, noticiários, conversas de bar, é de que os problemas que estamos vivendo são um absurdo que quase não tem coerência com os tempos atuais, com o Brasil que vivemos. Mas vamos por partes.

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Cresci educado em uma escola cujas aulas de Geografia ensinavam que eu pertencia a um país de 3º mundo, junto com os países africanos (inclusive a África do Sul, na época), toda a América do Sul e Central e alguns países da Ásia (Paquistão, Índia, etc). As imagens dos livros mostravam crianças desnutridas, favelas, lixões, o sertão  nordestino. Falava-se em corrupção, problemas de dívida externa, inflação, mas o fundamental era o seguinte: eu me identificava com uma realidade pobre, a quilômetros de distância dos EUA e Europa, paraísos de desenvolvimento e dos misteriosos países comunistas, sobre os quais ainda pouco se sabia, de fato. Caso surgisse uma notícia ou artigo estrangeiro sobre as desgraças de minha terra, só podia concordar por ser fato constatado e esperado (não há resignação, mas constatação de um fato). Não havia hiato entre a realidade esperada, construída discursivamente (o que se diz a respeito do país), da que eu flagrava em meu cotidiano.

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A década de 90, com a estabilidade financeira do Real, a abertura de mercado para produtos estrangeiros, aliada ao barateamento (por conta da competitividade que a abertura proporcionou) de vários produtos de 1º mundo criou um cenário de transformação, dentro do qual ainda estamos. Vivemos ainda o difícil processo de transição de uma economia e mercado medievais, ou melhor, coloniais, para uma real inserção no globo, no modo de vida já há tantos anos usufruído em países do Hemisfério Norte.

Numa mistura de euforia ingênua com um complexo de inferioridade secular, um conjunto de discursos ufanistas começaram a ser produzidos, particularmente por agências de marketing, querendo associar marcas de produtos com a sensação de sucesso, progresso, crescimento. Não deveria ser difícil perceber que para qualquer corporação que precise vender produtos (sejam matérias-primas ou manufaturados) é necessário que se forme e estimule um mercado consumidor. Fazer-nos crer que estamos vivendo um momento glorioso de economia estável, distribuição de renda cada vez mais equitativa, desenvolvimento social e tecnológico foi a chave para que fizéssemos nossa parte no processo, temos um papel a exercer: consumir. E acreditamos, excitados com o novo status, a nova identidade mais vistosa.

Realmente temos (em todas as classes sociais) mais acesso à possibilidade de consumir, a roda do capitalismo foi acionada pela euforia das décadas de 90 e 00, empregos sobrando, mercado aquecido, o 2º mundo a ruir com o muro, a perestroika e a glasnost, e a conceituação geopolítica foi reformulada. Nada mais milagroso que mudar um conteito. A realidade toda se transforma. Deixamos de ser 3º mundo para nos tornarmos um país em desenvolvimento (óia!). Muito significativo, contribuiu deveras para nossa autoestima, à revelia da realidade ainda violenta, miserável, corrupta, politicamente ineficaz e desigual que nos cercava e ainda constituía.

Esse processo de mudança de status quo nacional vem sendo realizado progressivamente, cada vez mais bem aproveitado em campanhas políticas, agravado no lulismo (nosso Galvão Bueno da política). É um volume muito grande de boas notícias econômicas, para quem vinha de um regime militar, uma hiperinflação e um impeachment. Estabilidade e crescimento são (embora pífios) dados dignos de exaltação e de ressignificação de nossa identidade nacional. Somos um país em desenvolvimento, como torcedores (elemento constitutivo de nossa cultura), achamos que o Brasil vai ganhar, que já está na final, seremos campeões e viraremos, finalmente, 1º mundo (óia!).

Então “os olhos do mundo” realmente se voltam para nós, pois sediaremos 2 grandes eventos internacionais, estamos vendendo bem nosso peixe eufórico de quase desenvolvidos, e o que tais olhos vêm: praticamente o mesmo país de duas décadas atrás. Sabe quando um casal briga e os dois prometem mudar aquilo que tanto desagrada cada qual, faz-se um esforço enorme, cada um acha que mudou horrores, mas o outro continua achando que não foi alterado, que qualquer transformação foi pífia. Pois é assim. Para o olhar distante de nossas pequeninas e significativas mudanças, somos um local violento, repleto de administradores corruptos, com um abismo social africano, nível educacional risível, produção científica medíocre, tudo o que sempre se pensou a nosso respeito.

O artigo crítico é publicado e nossa euforia vira depressão profunda: que vergonha! Vergonha de não ser aquilo que acreditava ser! Vergonha da mentira na qual também acreditei.

De forma nenhuma defendo aqui que aceitemos a corrupção como algo irreversível, constituinte de nossa sociedade, que a desigualdade social não tem saída e devemos nos resignar e tal. Toda indignação, combustível que vem sendo usado nas manifestações cada vez mais comuns nas ruas das grandes cidades brasileiras, essa raiva é legítima. Talvez a percepção de que fomos enganados, a dura verdade de que nada mudou (ou pelo menos não tanto quanto nos quiseram fazer acreditar ao longo desses últimos 20 anos), seja a gota que transborda o copo. Gostamos de acreditar que somos desenvolvidos e notar que não somos pode levar a uma mudança realmente significativa (não ouso prever como, por que meio, nem quando).

Em meio à percepção desses fatos, ouvir alguém dizer que tem “orgulho de ser brasileiro” soa piegas, coxinha, alienado e ingênuo demais, mas parece ser fundamental perceber que expressar “vergonha de ser brasileiro” é tão ingênuo quanto, distante de se perceber parte de um processo histórico em andamento, lento, mas em um ponto nevrálgico. Depois de perceber isso, pensei em postar em meu status: “frustrado de perceber o quanto falta para vivermos o sonho de realidade que me venderam”.

(REX)

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Rex é um Hotel em Marília onde o articulista descobriu seu alter ego. Ali, como divisor de águas, manifestou-se a mais emblemática face de quem sempre quis ser mais do que até então conseguira ser. Hoje, Rex só existe enquanto escreve.

Site de onde foi retirada a análise ‘tapa na cara’: http://semema.com/sobre-a-vergonha-de-ser-brasileiro/

“Na Ucrânia, a parcela – uma enorme fatia da população do País – que tomou o escritório do ex-primeiro-ministro Victor Yanukovich na noite de sexta-feira, 21, na capital Kiev, e no domingo, 23, a mansão particular do líder deposto – já estatizada –, é chamada de fascista pela ala ucraniana pró-Rússia ou de diversos movimentos de esquerda alastrados pelo mundo. São fascistas, conservadores ou elite e neste cenário a imprensa ocidental, segundo declaram, coopera com um golpe neonazista no Leste Europeu ao demonizar o governo Yanukovich, que em novembro de 2013 anunciou que a Ucrânia não assinaria acordo com a União Europeia e ainda articulava reforçar a aliança política com a Rússia de Vladimir Putin. É conversa fiada de quem ainda lê o mundo da esquerda para a direita.

À parte de meses de manifestação popular, violência, mortes, derrubada de líderes do alto escalão do governo e do próprio Yanukovich, além de ameaças de Washington e Putin brincando de ‘vaca-amarela’ enquanto se auto glorificava pelas Olimpíadas de Inverno de Sochi, a Ucrânia sofre com os resquícios tanto da Guerra Fria como do imperialismo russo, afinal, foram mais de 70 anos sob domínio da extinta, porém nunca esquecida, União Soviética.

Historiadores dizem que a Ucrânia, mesmo ainda enquanto nação subjulgada, queria ser a Rússia quando eventualmente possuísse autonomia política e econômica. Sem chances. De um território inóspito, coberto de neve, à próspera “colônia” soviética, a Ucrânia enfrentou a truculência de Lênin, o infortúnio da Segunda Guerra Mundial e o desastre nuclear em Chernobyl. No entanto, sobreviveu ao colapso da União Soviética em 1991, se tornou um Estado soberano e, hoje, se sobressai em relação aos países vizinhos do Leste Europeu, uma região que parece estar eternamente machucada pela ocupação comunista em décadas passadas.

O cenário da Ucrânia no século 21 é um país ideologicamente dividido, parte da população, que habita principalmente o Leste e Sul, ainda tem o russo como língua oficial, gosta e quer a tal aproximação proposta por Yanukovich com a Rússia do Putin. Na análise do jornalista Natalio Cosoy, da BBC, existe, sim, um sentimento de nostalgia dos anos da integração soviética. Do outro lado, e minada em todo o território ucraniano, há a parcela que vê mudanças se o País se juntar à União Europeia e avançar nas relações comerciais com o mundo. Atualmente, a Ucrânia ainda depende da Rússia para abastecer-se de gás e para quem mais exporta produtos e serviços.

Mesmo com Yanukovich deposto pelo Parlamento e o anúncio de eleições para maio deste ano, há rumores de uma real possibilidade da divisão da Ucrânia e, consequentemente, uma guerra civil estaria em curso. Pior ainda é quando se especula sobre uma nova versão da Guerra Fria no mundo, em que a Ucrânia está geograficamente posicionada para jogar ou pelos Estados Unidos, Rússia, China ou a União Europeia, ‘blocos’ que eventualmente dividiram o mando no globo. Neste mapa, o indivíduo independente se é do leste pró-Russia ou a favor da abertura política do País ao ocidente passa a ser apenas ucraniano, que de qualquer forma sofrerá as consequências da História, simplesmente por estar ali. Os mais de dois meses de manifestações em Kiev não foram em vão, ao menos não para início de conversa. E para o futuro, a longo prazo. Foi em vão?

É a agitação popular nos extremos no planeta. Na Ucrânia, o povo, os tais fascistas, o mesmo rótulo dado aos manifestantes em Caracas, na Venezuela, contra a ditadura de Nicolás Maduro, ocupam os prédios da administração local, ocupam a emblemática praça Maidan e pressionam Yanukovich para não ser um mero assecla de Putin e fechar o País a um diálogo plurilateral. No Brasil, o povo também pula, até dança, comemora e se ‘acaba’ nas ruas, mas é apenas o Carnaval.”

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Erick Tedesco é jornalista e historiador. E-mail: tedesco@tribunatp.com.br.

OLHO:

A Ucrânia ainda depende da Rússia para abastecer-se de gás

Segue abaixo o relato de uma pessoa que passou recentemente em um concurso público federal e foi trabalhar em Roraima. Trata- se de um Brasil que a gente não conhece.

“As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil um pouco diferente,mas chegando em Boa Vista (RR) não pude resistir a fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui. Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até pessoas com um mínimo de instrução.

****Para começar, o mais difícil de encontrar por aqui é roraimense. Pra falar a verdade, acho que a proporção de um roraimense para cada 10 pessoas é bem razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense,piauiense, maranhense e por aí vai. Portanto, falta uma identidade com a terra.

****Aqui não existem muitos meios de sobrevivência, ou a pessoa é funcionária pública, (e aqui quase todo mundo é, pois em Boa Vista se concentram todos os órgãos federais e estaduais de Roraima, além da prefeitura é claro) ou a pessoa trabalha no comércio local ou recebe ajuda de Programas do governo.

Não existe indústria de qualquer tipo. Pouco mais de 70% do território roraimense é demarcado como reserva indígena, portanto restam apenas 30%,descontando- se os rios e as terras improdutivas que são muitas, para se cultivar a terra ou para a localização das próprias cidades.

****Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a Manaus, cerca de 800 km ) existe um trecho de aproximadamente 200 km reserva indígena (Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00 da manhã e
6:00 da tarde, nas outras 12 horas a rodovia é fechada pelos índios(com autorização da FUNAI e dos americanos) para que os mesmos não sejam incomodados…

Detalhe: Você não passa se for brasileiro, o acesso é livre aos americanos, europeus e japoneses. Desses 70% de território indígena,diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande burocracia e autorização da FUNAI. 
Outro detalhe: americanos entram à hora que quiserem. Se você não tem uma autorização da FUNAI mas tem dos americanos então você pode entrar. A maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou francês, mas a maioria não sabe falar português.

Dizem que é comum na entrada de algumas reservas encontrarem- se hasteadas bandeiras americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui americano tipo*nerd*com cara de quem não quer nada, que veio caçar borboleta e joaninha e catalogá-las, mas no final das contas, pasme, se você quiser montar uma empresa para exportar plantas e frutas típicas como cupuaçu, açaí, camu-camu etc., medicinais ou componentes naturais para fabricação de remédios, pode se preparar para pagar ‘*royalties*’ para empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos produtos típicos da Amazônia…

****Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: *Os americanos vão acabar tomando a Amazônia. *E em todas elas ouvi a mesma resposta em palavras diferentes.. Vou reproduzir a resposta de uma senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí: ‘Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles comandam tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam. Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde iraquiano não entra, aqui vai ser a mesma coisa’.

A dona é bem informada não? O pior é que segundo a ONU o conceito de nação é um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome de nação indígena.O que pode levar os americanos a alegarem que estarão libertando os povos indígenas. Fiquei sabendo que os americanos já estão construindo uma grande base militar na Colômbia, bem próximo da fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o pseudo objetivo de combater o narcotráfico. Por falar em narcotráfico, aqui é rota de distribuição, pois essa mãe chamada Brasil mantém suas fronteiras abertas e aqui tem estrada para as Guianas e Venezuela.

Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente se for americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um incidente diplomático). Dizem que tem muito colombiano traficante virando venezuelano, pois na Venezuela é muito fácil comprar a cidadania venezuelana por cerca de 200 dólares.****

Pergunto inocentemente às pessoas:porque os americanos querem tanto proteger os índios?A resposta é absolutamente a mesma, porque as terras indígenas além das riquezas animal e vegetal, da abundância de água, são extremamente ricas em ouro – encontram-se pepitas que chegam a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras preciosas, minério e nas reservas norte de Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO. Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de socorro a alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao presidente ou a alguma autoridade do sul que vá fazer alguma coisa.

É, pessoal… saio daqui com a quase certeza de que em breve o Brasil irá diminuir de tamanho. ****
Será que podemos fazer alguma coisa???****
Acho que sim.****

Repasse esse e-mail para que um maior número de brasileiros fique sabendo desses absurdos.****”

*Mara Silvia Alexandre Costa* ****
Depto de Biologia Cel. Mol. Bioag.Patog. FMRP – USP ****

Opinião pessoal:****

Gostaria que você que recebeu este e-mail, o repasse para o maior número possível de pessoas. Do meu ponto de vista seria interessante que o país inteiro ficasse sabendo desta situação através dos telejornais antes que isso venha a acontecer.*

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Os EUA costumam se revelar ao mundo como os grandes defensores das liberdades, como a nação com a melhor qualidade de vida do planeta e que nada é melhor do que o “american way of life” (o modo de vida americano). A realidade, no entanto, é outra. Os EUA também têm telhado de vidro como a maioria dos países, a diferença é que as informações são constantemente camufladas. Confira abaixo 10 fatos pouco abordados pela mídia ocidental.

1. Maior população prisional do mundo

Elevando-se desde os anos 80, a surreal taxa de encarceramento dos EUA é um negócio e um instrumento de controle social: à medida que o negócio das prisões privadas alastra-se como uma gangrena, uma nova categoria de milionários consolida seu poder político. Os donos destas carcerárias são também, na prática, donos de escravos, que trabalham nas fábricas do interior das prisões por salários inferiores a 50 cents por hora. Este trabalho escravo é tão competitivo, que muitos municípios hoje sobrevivem financeiramente graças às suas próprias prisões, aprovando simultaneamente leis que vulgarizam sentenças de até 15 anos de prisão por crimes menores como roubar chicletes. O alvo destas leis draconianas são os mais pobres, mas, sobretudo, os negros, que representando apenas 13% da população norte-americana, compõem 40% da população prisional do país.

2. 22% das crianças americanas vive abaixo do limiar da pobreza.

Calcula-se que cerca de 16 milhões de crianças norte-americanas vivam sem “segurança alimentar”, ou seja, em famílias sem capacidade econômica para satisfazer os requisitos nutricionais mínimos de uma dieta saudável. As estatísticas provam que estas crianças têm piores resultados escolares, aceitam piores empregos, não vão à universidade e têm uma maior probabilidade de, quando adultos, serem presos.

3. Entre 1890 e 2012, os EUA invadiram ou bombardearam 149 países.

O número de países nos quais os EUA intervieram militarmente é maior do que aqueles em que ainda não o fizeram. Números conservadores apontam para mais de oito milhões de mortes causadas pelo país só no século XX. Por trás desta lista, escondem-se centenas de outras operações secretas, golpes de Estado e patrocínio de ditadores e grupos terroristas. Segundo Obama, recipiente do Nobel da Paz, os EUA conduzem neste momente mais de 70 operações militares secretas em vários países do mundo.

O mesmo presidente criou o maior orçamento militar norte-americano desde a Segunda Guerra Mundial, superando de longe George W. Bush.

4. Os EUA são o único país da OCDE que não oferece qualquer tipo de subsídio de maternidade.

Embora estes números variem de acordo com o Estado e dependam dos contratos redigidos por cada empresa, é prática corrente que as mulheres norte-americanas não tenham direito a nenhum dia pago antes ou depois de dar à luz. Em muitos casos, não existe sequer a possibilidade de tirar baixa sem vencimento. Quase todos os países do mundo oferecem entre 12 e 50 semanas pagas em licença maternidade. Neste aspecto, os Estados Unidos fazem companhia à Papua Nova Guiné e à Suazilândia.

 

5. 125 norte-americanos morrem todos os dias por não poderem pagar qualquer tipo de plano de saúde.

Se não tiver seguro de saúde (como 50 milhões de norte-americanos não têm), então há boas razões para temes ainda mais a ambulância e os cuidados de saúde que o governo presta. Viagens de ambulância custam em média o equivalente a 1300 reais e a estadia num hospital público mais de 500 reais por noite. Para a maioria das operações cirúrgicas (que chegam à casa das dezenas de milhar), é bom que possa pagar um seguro de saúde privado. Caso contrário, a América é a terra das oportunidades e, como o nome indica, terá a oportunidade de se endividar e também a oportunidade de ficar em casa, torcendo para não morrer.

 

6. Os EUA foram fundados sobre o genocídio de 10 milhões de nativos. Só entre 1940 e 1980, 40% de todas as mulheres em reservas índias foram esterilizadas contra sua vontade pelo governo norte-americano.

Esqueçam a história do Dia de Ação de Graças com índios e colonos partilhando placidamente o mesmo peru em torno da mesma mesa. A História dos Estados Unidos começa no programa de erradicação dos índios. Tendo em conta as restrições atuais à imigração ilegal, ninguém diria que os fundadores deste país foram eles mesmos imigrantes ilegais, que vieram sem o consentimento dos que já viviam na América. Durante dois séculos, os índios foram perseguidos e assassinados, despojados de tudo e empurrados para minúsculas reservas de terras inférteis, em lixeiras nucleares e sobre solos contaminados. Em pleno século XX, os EUA iniciaram um plano de esterilização forçada de mulheres índias, pedindo-lhes para colocar uma cruz num formulário escrito em idioma que não compreendiam, ameaçando-as com o corte de subsídios caso não consentissem ou, simplesmente, recusando-lhes acesso a maternidades e hospitais. Mas que ninguém se espante, os EUA foram o primeiro país do mundo oficializar esterilizações forçadas como parte de um programa de eugenia, inicialmente contra pessoas portadoras de deficiência e, mais tarde, contra negros e índios.

 

7. Todos os imigrantes são obrigados a jurarem não ser comunistas para poder viver nos EUA.

Além de ter que jurar não ser um agente secreto nem um criminoso de guerra nazi, vão lhe perguntar se é, ou alguma vez foi membro do Partido Comunista, se tem simpatias anarquista ou se defende intelectualmente alguma organização considerada terrorista. Se responder que sim a qualquer destas perguntas, será automaticamente negado o direito de viver e trabalhar nos EUA por “prova de fraco carácter moral”.

 

8. O preço médio de uma licenciatura numa universidade pública é 80 mil dólares.

O ensino superior é uma autêntica mina de ouro para os banqueiros. Virtualmente, todos os estudantes têm dívidas astronômicas, que, acrescidas de juros, levarão, em média, 15 anos para pagar. Durante esse período, os alunos tornam-se servos dos bancos e das suas dívidas, sendo muitas vezes forçados a contrair novos empréstimos para pagar os antigos e assim sobreviver. O sistema de servidão completa-se com a liberdade dos bancos de vender e comprar as dívidas dos alunos a seu bel prazer, sem o consentimento ou sequer o conhecimento do devedor. Num dia, deve-se dinheiro a um banco com uma taxa de juros e, no dia seguinte, pode-se dever dinheiro a um banco diferente com nova e mais elevada taxa de juro. Entre 1999 e 2012, a dívida total dos estudantes norte-americanos cresceu à marca dos 1,5 trilhões de dólares, elevando-se assustadores 500%.

 

9. Os EUA são o país do mundo com mais armas: para cada dez norte-americanos, há nove armas de fogo.

Não é de se espantar que os EUA levem o primeiro lugar na lista dos países com a maior coleção de armas. O que surpreende é a comparação com outras partes do mundo: no restante do planeta, há uma arma para cada dez pessoas. Nos Estados Unidos, nove para cada dez. Nos EUA podemos encontrar 5% de todas as pessoas do mundo e 30% de todas as armas, algo em torno de 275 milhões. Esta estatística tende a se elevar, já que os norte-americanos compram mais de metade de todas as armas fabricadas no mundo.

10. Há mais norte-americanos que acreditam no Diabo do que os que acreditam em Darwin.

A maioria dos norte-americanos são céticos. Pelo menos no que toca à teoria da evolução, já que apenas 40% dos norte-americanos acreditam nela. Já a existência de Satanás e do inferno soa perfeitamente plausível a mais de 60% dos norte-americanos. Esta radicalidade religiosa explica as “conversas diárias” do ex-presidente Bush com Deus e mesmo os comentários do ex-pré-candidato republicano Rick Santorum, que acusou acadêmicos norte-americanos de serem controlados por Satã.

FONTE: http://revistaforum.com.br/blog/2013/12/

EUA CRISE 17

A morte de Paul Walker foi noticiada como se ele fosse um mártir, enquanto a de Mandela são simples notinhas de rodapé? Nada contra o ator de Velozes & Furiosos, até admiro a iniciativa dele para as vítimas do furacão no sudeste asiático. Mas e o grande líder sul-africano? Meras e míseras notificações, algumas com suas frases de efeito. Nem quero imaginar o que a turma do humor negro está bolando. E quem foi Mandela, fora ou baseado nas retratações feitas nas telonas do cinema? (Idris Elba é o mais recente, enquanto Morgan Freeman, Sidney Poitier e Danny Glover atuaram em versões anteriores)
– Se sujeitou a ficar em uma cela de 4m² por 27 anos somente por ter lutado contra o etnocentrismo em seu país,
– Pôs fim a um regime de segregação racial aplaudido e ignorado pelas potências que pregam a ‘liberdade’,
– Quando assumiu o governo sul-africano, perdoou os brancos que governaram até então, não praticando a irracional vingança, ainda que no caso fosse aceitável
Mandela não foi nenhum santo em toda vida terrena: Envolveu-se com grupos armados, usou o boxe para fins violentos e integrou a lista dos terroristas mais perigosos dos EUA até 2008. Mas que personalidade histórica digna de respeito nunca cometeu um(ns) deslize(s) sequer?
Descanse em paz grande líder. Por sua causa o preconceito perdeu força na mãe África. Deveria haver outros seguindo teu exemplo. Há muito a ser feito porque os tiranos se preocupam cada vez mais com o lustre de seus sapatos ao invés  do bem-estar dos necessitados.
É, o refrão de Cazuza em Ideologia se faz cada vez mais presente: Meus herois morreram de overdose, meus inimigos estão no poder.

Segue em anexo a trilha sonora feita para o novo filme biográfico do governante. Feito por uma certa banda ativista chamada…..U2!