Archive for the ‘All Power to the GOOD Music’ Category

Boas energias, realizações e promessas cumpridas em 2014, ou o ano da Copa. ¬¬

 

 

 

 

 

“So who’s chasing you? Where did you go?

You disappeared mid-sentence in a judgement crisis

I see my anecdote for it, you weakened shell”

Oito anos tinha nessa época. Lembranças de uma perda irreparável (Senna) e uma conquista improvável (tetra).

Enquanto no Brasil impera a incoerência entre biógrafos e artistas, resolvi apelar para a leitura de um dos artistas mais idolatrados – senão o mais – da história do country e dos rock nos Estados Unidos, Johnny Cash. O livro originalmente foi publicado em 1997, época em que Cash dava seu último tiro de consagração no cenário musical. O cantor faleceu em 2003.

O jornalista Patrick Carr contribuiu para que o texto se ajeitasse e Johnny não economiza em seus feitos na primeira pessoa. Por não usar a linha comum (e às vezes maçante) das biografias – nascimento, infância, primeiros trabalhos, carreira artística e curtindo a velhice – talvez seja o mais interessante do livro. Muitos artistas optam pelo modelo para convencerem os fãs que alçaram o sucesso a duras penas.

Ao invés disso, o menino pobre, nascido e crescido nas fazendas de algodão do Tennessee, preferiu focar as temáticas que mais lhe alegraram e perturbaram em toda sua trajetória aos 65 anos de idade.

Um dos problemas relatados, encarado como trauma, diz respeito ao acidente com o irmão Jack na adolescência. Cash detalha o ocorrido desde a premonição feita por ele momentos antes até o dia do óbito no hospital.

O vício em anfetaminas foi outro aspecto abrangido na obra. Rotina desregulada, temperamento explosivo, depressão e isolamento de entes queridos e o momento de redenção e reviravolta, graças à família da amada June Carter.

A religiosidade do artista pode ser o ‘ponto de equilíbrio’ do livro. Cash depõe todo seu amor a Deus sem que seus relatos pareçam uma pregação barata de igrejas intolerantes. A leitura constante da Bíblia e outros textos sagrados só reforçam tentativas de casar estilos musicais com o gospel.

Parcerias e amizades dão a entender a simplicidade de Johnny para elogiar quem esteve próximo em tempos de disputa saudável entre country e rock a partir dos anos 60. Roy Orbison, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Willie Nelson são apenas alguns entre tantos.

Em uma era de decadência musical em se tratando de conteúdo, vale a leitura e o download das músicas do Man In Black no epílogo. O livro é muito mais que a cinebiografia ‘Johnny & June’, estrelado pelo brilhante Joaquin Phoenix e a insossa Reese Witherspoon.

cashpeq

Freddie Mercury tinha uma voz inigualável e inconfundível e isso todo roqueiro nato sabe. O mesmo pode-se dizer dos lampejos de David Bowie. O camaleão inglês e a banda Queen gravaram Under Pressure, aquela batidinha inicial no baixo que até Vanilla Ice descaradamente imitou.

Saiu na net uma versão capela do hit, em que os dois vocalistas cantam sem o som dos instrumentos e efeitos. Pra quem se curva aos efeitos de estúdio aos artistas teen de hoje, nem ouçam a potência e o timbre da dupla inglesa.

Ou um novo filme: Réptil Desdentado

rodrigo_fernandes  Guillermo-del-Toro

O  Green Day causa alvoroço no mainstream desde os anos 90, mas o seu American Idiot foi um divisor de águas por 2 motivos: O engajamento político implícito da banda e o visual emo de Billie Joe Armstrong. Quando veio a sequência 21st Century Breakdown, em 2009, já ficou escrachado o teor crítico do trio californiado à quase todas as mazelas sociais, e a faixa East Jesus Nowhere aponta de modo certeiro para a religião.

A letra relaciona os atos da igreja, provavelmente a protestante que abunda nos EUA, aos feitos do exército norte-americano desde 11 de setembro ou até antes, quando justificam mortes em nome da paz, do equilíbrio e da democracia (Depositem sua fé em um milagre / E isso não tem a ver com religião/ Juntem-se ao coro, estaremos cantando /Na igreja da doce ilusão), além de citar os problemas raciais enfrentados na América até a investida de Martin Luther King (Levantem-se! Todos os garotos brancos / Sentem-se! Todas as garotas negras / Vocês são os soldados do novo mundo).

Tudo isso abusando do autoritarismo, de forma que o povo, descrito como ‘cães sodomizados’, não devem criticar ou mesmo se posicionar contra seu líder-pastor-presidente-general em tom de ameaça (Não me testem / Não me contestem / Não me protestem), aos olhos de um aparelho repressor e vigilante (Eu quero saber a quem é permitido reproduzir/ (…) E os tiras de uma nova religião)

Talvez aos ouvidos dos ateus revoltatinhos isso pode soar como uma ode de Beethoven ou de Vinícius de Moraes, remetendo aos abusos medievais da instituição. Mas a bem da verdade a música, acompanhada por batidas que lembram as touradas espanholas, serve para o próprio estaduniense rir da própria desgraça – o videoclipe tem sua parcela bem-humorada – e talvez refletir sobre um futuro justo e digno, sem intervencionismo ou pisões em outras religiões. Taí um possível diálogo entre a Casa Branca e o Irã podendo mudar os rumos do acordo ‘liberdade em nome do Petróleo’.

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Mitchell Brunings já é o viral positivo do momento musical. Quem ouve de olhos fechados chuta que é o próprio Bob Marley sem acender!

Imagina então cantar numa festa em que os remanescentes do Led Zeppelin são expectadores. E com um certo Obama apreciando (sem binóculo!)