Arquivo de Abril, 2014

“É praticamente impossível ser contra a reação de Daniel Alves. Diante do de sempre, ele respondeu com o inusitado. Atirar bananas e imitar macacos são ofensas racistas nada surpreendentes nos estádios de futebol, por mais que devam causar espanto. Acontecem com certa frequência na Europa e nem são privilégio do Velho Mundo, como bem o sabem os jogadores Tinga e Grafite. Superando a mesmice, o deboche espirituoso de Dani Alves, ao devorar o alimento, construiu um momento único, original, desses que já nascem com lugar garantido na eternidade.

Se a altivez debochada de Alves encanta, é difícil ver com o mesmo otimismo a reação de celebridades como Luciano Huck e Angélica, macaqueando (com o perdão do termo) o atacante Neymar Jr. Não apenas por revelar a fome de lucro da indústria cultural, capaz de transformar as manifestações mais espontâneas do indivíduo em mercadorias rentáveis, mas sobretudo pela suposta mensagem antirracismo propagada por tais personalidades.

O pensador Theodor Adorno, lá nos anos 60, advertia seus leitores de como as estrelas vazias são fundamentais para que a Indústria Cultural (termo cunhado por ele e por Horkheimer) consiga manipular seus consumidores. Neymar, Angélica e Huck, para citar três casos, são belos exemplos: nenhum dos três jamais debateu o racismo; nos programas de auditório de Angélica e Huck, jamais houve qualquer preocupação em destacar figuras negras; o próprio Neymar, em entrevista a um importante jornal paulista, declarou nunca ter sofrido racismo justamente por não ser “preto” – um caso de, como tenho dito entre amigos, “não negro por opção”.

Normalmente alheias ao tema, várias celebridades veem na projeção do gesto de Dani Alves uma chance perfeita de, sem entrar em qualquer debate complexo e arriscado, “apoiar uma causa” simpática, colocar-se em evidência e, por fim, seguir sendo personalidades vazias, sem polêmica, sem questionamento, prontas para promover a publicidade de um banco, de uma empresa de telefonia celular ou de qualquer outro produto que as contrate. Não por acaso, ao que tudo indica, a “campanha” que nos chama a todos de “macacos” parece ter sido orquestrada por uma importante agência de publicidade.

Além da pouca sinceridade, que para espíritos românticos já seria motivo suficiente para repudiar Neymar e todo o bando, ainda há problema mais grave: a possibilidade de que o “comer a banana” seja visto com um “deixa pra lá”. No caso de Dani Alves, falamos de um atleta sob pressão: o Barcelona não vem numa campanha das melhores, seu time estava perdendo a partida e, como de costume, as câmeras do mundo estavam voltadas para ele. Ser agredido em público, nessas condições, torna difícil qualquer reação à altura e ele, com presença de espírito invejável e apurada técnica, “tirou de letra”. Contudo, caso a atitude dele se torne “o” exemplo a ser seguido, corre-se o risco de que sejam repudiadas medidas mais duras contra o racismo, necessárias, por exemplo, quando se considera que as vítimas da violência policial são Amarildos, Cláudias, DGs, não os Hucks de olhos claros.

O discurso de que “o racismo está na vítima” e basta “saber ignorar” aplaude Dani Alves de pé, ao mesmo tempo em que não reconhece a defesa das cotas no ensino superior, ignora a desigualdade racial e tergiversa sobre a “democracia racial” em que vivemos.

Em resumo, se por um lado Daniel Alves deu, nas condições a que estava submetido, provavelmente a mais elegante e contundente resposta que torcedores racistas já receberam, por outro é preciso cautela. A sede de transformar tudo em business e a hipocrisia dos que creem em uma suposta igualdade racial (que, se é total no aparato biológico, é nenhuma na vida social) querem transformar o gesto libertador do atleta em mais uma arma de opressão. Mas não deixaremos. Não somos bananas.”

(Henrique Braga) – site http://www.brasilpost.com.br/

Somos todos Lou Reed!

Somos todos Lou Reed!

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“Lula é Dilma, Dilma é Lula: Dilma é o pseudônimo de Lula” –a mensagem, propagada incessantemente, produziu os efeitos desejados nas eleições de 2010. Contudo, para além do teatro eleitoral, será verdadeira? Mais que interesse intelectual, a questão tem evidente relevância política quando soam as cornetas do “Volta, Lula!”.

“Volta, Lula!” é a bandeira de uma facção do PT, mas, sobretudo, de setores do alto empresariado, que a difundem com discrição, operando nas sombras. Por motivos distintos, esses dois grupos acreditam que não: Dilma não é Lula. Os petistas engajados no neo-sebastianismo creem que Lula possui “habilidade política” superior, um eufemismo para louvar o desembaraço do ex-presidente na arte da distribuição de fragmentos da máquina pública aos “companheiros”. Os empresários empenhados na mesma campanha, por sua vez, elogiam o “pragmatismo” lulista, que deve ser traduzido como um desprezo básico por qualquer tipo de convicção ideológica –e uma propensão irrefreável a distribuir a bolsa-empresário do BNDES aos magnatas “companheiros”.

De certo modo, uns e outros têm razão. Dilma pode não ser a gerente perfeita, uma lenda que sobrevive apenas entre fanáticos oficialistas, mas conserva uma ética gerencial fundada no conceito de eficiência absolutamente estranha a Lula. A substituição do militante Gabrielli pela administradora Graça Foster na Petrobras é uma prova dramática da diferença. Ao mesmo tempo, Dilma acredita realmente no modelo do capitalismo de Estado. Oriunda do brizolismo, petista da undécima hora, a presidente nutre uma desconfiança fundamental em relação ao mercado. Não é fortuito que, resistindo às pressões de Lula, ela tenha bancado a permanência de um cambaleante Guido Mantega na pasta da Fazenda.

Lula só acredita no que serve às suas conveniências de poder: o ex-presidente pode ser “mercadista” ou “estatista”, conforme as circunstâncias. Dilma também pode ser “mercadista”, mas apenas a contragosto, premida pela conjuntura –ou por Lula. É por isso que a ala “desenvolvimentista” do PT prefere Dilma a Lula. André Singer, um arauto dessa ala, justificou a preferência em coluna publicada na Folha (9/11/13). Caracteristicamente, o texto descrevia uma suposta conspiração dos “donos do dinheiro”, conduzida pela afinada “orquestra” do mercado financeiro (o FMI, a revista “Economist” e a agência Moody’s) contra o indômito governo Dilma. E, como conclusão, sugeria que Lula desempenhava um papel na macabra trama “mercadista”.

Dilma, então, não é Lula, do ponto de vista dos interesses dos magnatas nacionais, dos petistas ocupados noite e dia na colonização do aparelho de Estado e da ala convictamente estatista do PT. Contudo, no que concerne aos interesses da esmagadora maioria dos brasileiros, Dilma é o pseudônimo de Lula pelo simples motivo de que a presidente de direito não exerce a plenitude do poder presidencial. Dilma é Lula no sentido bem preciso de que, nos momentos cruciais, a prerrogativa de decidir repousa nas mãos do presidente de facto.

Lula, o “pragmático”, não Dilma, a “estatista”, deflagrou a política econômica estatista durante seu segundo mandato. O mesmo Lula, não Dilma, deu o sinal de mudança de rota no ano passado, quando a falência do modelo tornou-se evidente para todos (exceto, claro, para os ideólogos “desenvolvimentistas”). Dilma poderia, em tese, ter obtido um grau razoável de independência –mas o fracasso de seu governo impediu que a criatura se libertasse da tutela do criador. Hoje, às vésperas das eleições, tal como há quatro anos, Dilma carece de qualquer lastro político próprio. Num eventual segundo mandato (que o céu nos proteja!), a presidente permaneceria tão refém de Lula quanto sempre foi.

“Volta, Lula”? Lula nunca saiu –como Lula e Dilma asseguram, nesse caso com razão.

(Demétrio Magnoli)

Ah, Dirceu!!

Ah, Dirceu!!

Feliz Dia do Goleiro!

Posted: 26/04/2014 by sobziro in Eu acho que..., Geral, Top 5
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Hoje é dia daquele considerado um homem elástico, de acordo com Skank;  Do cara que pode ser vilão ou heroi ao mesmo tempo, de autoria ainda desconhecida. A águia solitária, o homem misterioso, o último defensor…palavras de Vladimir Nabokov. Enfim, parabéns aos goleiros, profissionais ou aqueles que quebram o galho e/ou passam raiva, como este que vos escreve.

Aproveitando a data comemorativa, segue a lista dos 5 melhores goleiros que esse irritante torcedor viu atuar. Justamente por essa falha não posso ranquear Lev Yashin, o Aranha Negra soviético. Eis a lista, com a nacionalidade e o clube de maior importância defendido pelos arqueiros. Aberta a crítica, sugestões e, por que não, elogios!

5 – Gianluca Pagliuca – Itália (Inter de Milão)

Jogou três Copas (90, 94, 98). Muito eficiente nas defesas por cobertura e na saída com as mãos levantadas. Defendeu a cobrança de Márcio Santos na final de 94. Bem que poderia ter aceitado o frango, na qual ele beijou a trave depois, para evitar nosso sofrimento.

4 – Marcos – Brasil (Palmeiras)

Deixando qualquer clubismo de lado, até porque não fosse ele não teríamos o Penta. Símbolo do Palmeiras na década de 2000, assumiu a bronca mesmo em tempos ruins do clube, usando o pragmatismo que lhe é peculiar. Só não foi mais espetacular por conta das constantes lesões.

3 – Lavoisier Freire – Brasil (Carlos Barbosa)

Engraçado como renegamos os ídolos do futsal quando falamos de craques da bola. Mais ainda numa área em que Falcão é a única referência. Lavoisier é um defensor completo das quadras: elástico, ágil, com muito reflexo, raçudo e, de lei a todos da posição, louco!

2 – Dida – Brasil (Corinthians)

Alto, frio e concentradíssimo. Com essas características Dida se consagrou no clube de Parque São Jorge, ganhando títulos e defendendo pênaltis, sua especialidade na época. Seu defeito até hoje é a saída com os pés, principalmente fora da área.

1 – Oliver Kahn – Alemanha (Bayern de Munique)

Contradizendo o vice, o alemão é um tanto baixo para a posição e brigão (Klinsmann que o diga), daqueles que esbravejam o jogo todo. Kahn foi espetacular em especial nas defesas rasteiras e evitando gols de falta. Se auto-intitulou o melhor jogador da Copa de 2002. O resultado todos nós sabemos.

 

O artista responsável chama-se Tohad e mostra desenhos de nossa infância praticando ações nada exemplares. Acima de tudo, viva a criatividade (e a nostalgia)!

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Mais ilustrações na página do desenhista: http://tohad.deviantart.com/

A receita é muito simples, basta espremer metade de um limão num copo grande de água morna.

Alguns dos benefícios para a saúde:
1 – Reforçar a função imunológica: Os limões são ricos em vitamina C, muito útil no papel de apoio à função imunológica, podendo reduzir os riscos de infeções respiratórias. O ácido ascórbico (ou vitamina C) encontrado neste citrino tem também efeitos anti-inflamatórios, sendo utilizado como apoio suplementar para quem sofre de asma ou outros problemas respiratórios. Contêm ainda saponinas (glicosídeos do metabolismo secundário vegetal) que são ricas em propriedades antimicrobianas, protegendo da gripe. Por último, o ácido ascórbico auxilia a absorção do ferro pelo organismo.

2 – Desintoxicar o corpo: Embora o sabor do limão seja ácido, este fruto é de facto, um dos alimentos mais alcalinos. O ácido ascórbico e cítrico são facilmente metabolizados pelo corpo, ajudando a alcalinizar o sangue.

3 –  Ajudar na digestão: O limão é tradicionalmente usado como auxiliar da digestão. Pensado para purificar e estimular o fígado, o sumo de limão é tradicionalmente recomendado para suportar o ácido clorídrico no estômago, durante a digestão. A vitamina C tem estado associada à redução do risco de úlcera péptica, causada pela bactéria Helicobacter Pylori.

4 – Purificar a pele: A vitamina C e todos os antioxidantes do limão combatem os danos colaterais na pele causados pela exposição aos raios UV, responsáveis por grande parte dos sintomas de envelhecimento. A ingestão de antioxidantes podem ajudar a compensar estes danos, minimizando as rugas. Além disso, o sumo de limão pode ser aplicado diretamente nas manchas e cicatrizes, a fim de regenerar a pele.

5 – Promover a cicatrização: O ácido ascórbico promove ainda a cicatrização das feridas e é um nutriente essencial para a manutenção de tecidos saudáveis, ossos e cartilagem. A vitamina C é ainda essencial na recuperação de lesões e no combate ao stress.

6 – Hidratar: Começar cada manhã com um copo de água morna e limão estimula a digestão durante todo o dia, e limpa o corpo de toxinas.

7 – Impulso de energia: O sumo de limão dá ao seu corpo energia extra, uma vez que influencia o processo digestivo, e ajuda a reduzir a ansiedade e a depressão. Até mesmo apenas o cheiro a limão pode ter um efeito calmante no sistema nervoso

fonte: http://www.olhardemorado.com/

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‘O tempo já não é como antes. “A Sexta Extinção”, livro da jornalista Elizabeth Kolbert publicado há pouco nos Estados Unidos, faz uma súmula das relações do planeta com a ciência. As perspectivas da Terra são péssimas. Vem aí o fim da vida tal como a conhecemos.

O apocalipse não é novidade. Todo relato abrangente sobre a Terra implica especulações sobre o seu futuro. Se o futuro é sombrio, e Elizabeth Kolbert pouco diz a respeito dele, o seu livro tem muito a ensinar sobre o passado e o presente.

Ela demonstra que o mundo vem ficando mais velho, e não só a cada ano que passa. Descobertas científicas, novos aparelhos de medição e cálculos rigorosos comprovam que ele é muitíssimo mais antigo do que se pensava. É tido como certo que o planeta tem mais de 4,5 bilhões de anos. Bilhões.

Já os humanos pintaram ontem, no Pleistoceno, há meros 12 mil anos. Para quem penava em imaginar o mundo antes dos dinossauros, ou mesmo a época de Homero, agora ficou impossível. O tempo humano não é o geológico. Vivemos no presente. As poucas pessoas que olham para trás não veem nada, apenas uns poucos séculos. Depois, trevas.

A última grande crise ambiental ocorreu há 65 milhões de anos. Milhões. Um asteroide dos grandes se espatifou num lugar onde fica hoje o México. Provocou a queda súbita, extrema e duradoura da temperatura. Pentilhões de espécies sucumbiram. Foi a quinta grande extinção.

Que horas são? É meio-dia da sexta extinção, a que dá título ao livro. Ela é marcada pela quantidade de dióxido de carbono liberada na atmosfera, provocando o aquecimento global. O ritmo de extinção de espécies é mil vezes mais rápido do que antes do aparecimento do homem. Mil vezes. Palmas para nós.

Palmas para todos, sem exceção. Kolbert diz que é errado associar a extinção a um caçador fuzilando elefantes. “Imagine você mesmo com um livro no colo”, escreve. Não importa se o indivíduo age para estancar o esquentamento da Terra. “O que importa é que as pessoas mudam o mundo”.

A mudança é para pior. Ou, se for para evitar um julgamento, a mudança é no sentido de haver um corpo celeste com menos formas de vida. É um tempo de extinção. Talvez da própria espécie humana.

Nem sempre foi assim. Tempo houve em que a escatologia não se misturava com a ciência. O final dos tempos e do mundo era domínio dos místicos. Servia para maravilhar, meter medo, manter no aprisco o rebanho dos crentes.

Mais recentemente, quando foi ligado ao pensamento racional, o futuro pareceu radioso. A ciência e a tecnologia, imaginaram os adeptos do progresso, criariam inevitavelmente máquinas que tornariam a vida suave. Do outro lado, entre os críticos dialéticos, tentou-se inventar uma sociedade sem a canga do trabalho, na qual todos fossem livres.

Não deu certo. Então isso vem se erodindo: a possibilidade da sociedade moldar o futuro. Mulheres e homens não agem como espécie, e sim como classes e nações. Daí a miséria, as catástrofes ambientais, as guerras. É certeza que não haverá Idade do Ouro.

(Entre parênteses: a Boitempo lançará na semana que vem “O Novo Tempo do Mundo”, livro formidável no qual Paulo Arantes lida com esses temas de uma perspectiva histórica e materialista).

Melhor então buscar a Idade de Ouro no passado e na poesia. Existem tempo e vida em Hesíodo, Ovídio e Saint-Simon, que escreveram a respeito dela. E em Lévi-Strauss:

“Se os homens sempre atacaram uma única tarefa, a de criar uma sociedade habitável, as forças que animaram nossos longínquos antepassados também estão presentes em nós. Nada está decidido; podemos recomeçar tudo. O que foi feito e falhou pode ser refeito: a Idade do Ouro, que uma superstição cega colocou atrás (ou adiante) de nós, está dentro nós”‘

(Mário Sérgio Conti)

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Recentemente o Nirvana foi adicionado ao Rock Hall of Fame, uma espécie de Academia Brasileira de Letras da música nos EUA (talvez a diferença é que só os genuínos imortais entram para o grupo). Krist Novoselic e Dave Grohl, sobreviventes da formação, comparecem à cerimônia que contou com discursos de Michael Stipe (R.E.M.), além dos maquiados Kiss.

Mas memorável mesmo foram os shows . Grohl e o Foo Fighters sempre optaram por não fazer covers, dentre tantos motivos de respeito, talvez para evitar (mais) batalhas judiciais com a maluca Courtney Love pelo espólio de Kurt Cobain.

Na primeira apresentação a cantora Joan Jett (The Runaways) soltou a voz com ‘Smells Like Teen Spirit’:

E, ao término, a sensação do momento Lorde mandando um ‘All Apologies’:

Outstanding!!