Arquivo de Fevereiro, 2013

“Deveríamos recusar todas as alternativas –sempre, por princípio. Imagine que alguém diga “Se você pega o preto, perde o branco, e, se você pega o branco, perde o preto” e insista: “Então, qual será? Preto ou branco?”. Quase sempre, eu responderia que existem, no mínimo, 50 tons de cinza e imediatamente devolveria a pergunta: “Por que razão escusa você tenta me acuar a escolher entre preto e branco?”.

Somos crédulos, queremos acreditar que, a cada encruzilhada, exista sempre uma saída mais malandra, pela qual nos daremos bem. Em sua maioria, as alternativas nos seduzem e funcionam, justamente, quando elas exaltam nossa falsa fé em soluções que não sejam totalmente perdedoras.

Jacques Lacan, o grande psicanalista francês, para ilustrar nossa “alienação” diante das “escolhas forçadas” (palavras dele), recorria ao exemplo do assaltante que nos mandaria decidir: “A bolsa ou a vida!”.

Basta pensar um instante para constatar que a alternativa é furada, visto que, se eu decidir ficar com a bolsa, não vou perder só a vida –vou perder também a bolsa, pois o assaltante não vai deixá-la com meu cadáver.

De maneira tristemente engraçada, a outra possibilidade é igualmente furada no Brasil. Aqui, se escolhermos ficar com a vida e entregarmos a bolsa com docilidade, há uma boa chance que mesmo assim o assaltante nos mate, pegando, com a bolsa, nossa vida também.

Em suma: escolha zero. No exterior, “A bolsa ou a vida!” significa “Passa a bolsa, e ponto”. E, no Brasil, considere-se sortudo que não signifique “Passe a bolsa E a vida, E ponto” –como dizem os bandidos, “Você perdeu geral”.

O exemplo de “A bolsa ou a vida” sugere (com pertinência) que qualquer um que tente nos impor uma escolha forçada seja provavelmente um bandido, interessado sobretudo em afirmar e consolidar seu poder sobre nós.

A política, na segunda metade do século passado, alimentou-se de uma alternativa desse tipo, uma alternativa bandida e falsa, segundo a qual deveríamos escolher entre, de um lado, as ditas liberdades burguesas (liberdade de opinião, de culto, de ir e vir pelo mundo, de ter nossa privacidade respeitada etc.) e, do outro lado, uma nova justiça social, que acabasse com miséria e fome.

Eu mesmo já pertenci a essa bandidagem. Quando me mostravam que os países ditos socialistas esmagavam as liberdades básicas, eu respondia “E a liberdade de não morrer de fome, hein?”. Como se, para se livrar da fome, renunciar às liberdades burguesas fosse o preço necessário e, portanto, aceitável, se não módico.

Isso aconteceu, entre outras coisas, porque não escutei direito ao meu pai. Giustizia e Libertá (justiça e liberdade) era o nome do movimento no qual ele se reconhecia, nos anos 1930. Era um movimento socialista, antifascista e anticomunista, para o qual justiça e liberdade não podiam constituir uma alternativa.

Em geral, quem nos diz que só teremos liberdade sem justiça é um aproveitador econômico e social (quer ser livre de perseguir seus interesses sem ter que se preocupar com os outros). E quem nos diz que só teremos justiça sem liberdade é um aproveitador político (quer que abandonemos nossas liberdades de modo que ele possa se eternizar no poder sem oposição). Essas duas espécies de aproveitadores se valem.

A alternativa “liberdade ou justiça” é tão falsa quanto “a bolsa ou a vida”. Em particular, a troca da liberdade pela justiça produziu mundos sem liberdade (isso era previsto) e (isso não era) totalmente injustos, corrompidos por burocracias apenas interessadas em se manter no poder.

Ora, na ocasião da chegada ao Brasil da blogueira cubana Yoani Sánchez, houve pessoas para ressuscitar essa falsa alternativa: como pode ela criticar a falta de liberdade em Cuba, quando o regime acabou com a fome na ilha?

O fato é que, para acabar com a fome na ilha, não era necessário acabar com nenhuma das liberdades dos cubanos.” (Contardo Calligaris)

a-liberdade-de-escolha-e-o-espelho-da-democracia

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Pela primeira nessa industria vital, essa é a primeira vez que consigo assistir partes da lista dos favoritos ao Oscar. Vamos aos chutes:

MELHOR ATOR: Com a ajuda dos críticos (jornais, revistas) acho que Daniel Day-Lewis leva o tri por Lincoln, mas Hugh Jackman (Os Miseráveis) e Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida) podem surpreender.

MELHOR ATRIZ: Jennifer Lawrence, até porque só consegui ver esse filme dentre as indicadas. Mas fez por merecer caso leve.

ATOR COADJUVANTE: Concorrência acirrada, mas o carrancudo Tommy Lee Jones se superou. Waltz (Django Livre) não seria surpresa. De Niro come pelas beiradas

ATRIZ COADJUVANTE: Mesmo com a dramaticidade e presença de Sally Fields e o esforço de Jacki Weaver, todos contam com Anne Hathaway, com o comovente I Dreamed a Dream em um take só!

DIRETOR: Ang Lee (As Aventuras de Pi) é uma boa, Spielberg levaria pelo ‘patriotismo’ e David O. Russel pela ‘mensagem positiva e bonitinha’.

FILME: Dentre os 5 vistos, arrisco em Lincoln. No entanto, ultimamente a banca tem gostado do cliquê ‘EUA exemplo X Oriente Médio demônio’, Argo e A Hora Mais Escura, que (in)felizmente não vi, podem levar.

A estatueta pro ano que vem será patriótica, francesa, hindu, moralista ou terrorista?

A estatueta pro ano que vem será patriótica, francesa, hindu, moralista ou terrorista?

Circula há um bom tempo no youtube apresentações em estúdio de Meytal Cohen, baterista israelita com carreira militar (O)(O). O que ela faz além de sucesso? Veja os vídeos em que ela acompanha as batidas das músicas e diga algo sobre seu sorriso ‘tímido’,

Meytal+Cohen+20

E uma ilusão de ótica (perspectiva) bem feita

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Para mais piadas-cabeça: http://9gag.com

Bullyng em Outworld

Posted: 14/02/2013 by sobziro in Ócio Criativo, Humor Negro
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Nem Liu Kang está a salvo desse mal que acomete a toda Earthrealm.

 

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mais sátiras de games em: http://www.dorkly.com

“Impressiona como o meme virou uma forma central de comunicação “de massa” hoje: fotos, filmes e textos remixados, boa parte deles sarcásticos, que são reproduzidos pela internet viralmente, por imitação.

Ganharam até função política. É só pensar nos memes surgidos no julgamento do mensalão, como o ministro Joaquim Barbosa com capa de Batman, ou como outros fatos políticos são sintetizados em memes.

A função política é ilustrada pelo modo como Barack Obama baseou neles parte de sua estratégia na reeleição. O jantar anual para os correspondentes de imprensa na Casa Branca já se consagrou como festival de memes.

Obama criou até página no Tumblr, hoje uma das principais “memelândias”.

Como toda forma de comunicação que ganha relevância, memes estão dando dinheiro. O empresário sul-coreano Bem Huh, radicado nos EUA, construiu um pequeno império.

A “Cheezburger Network” inclui sites populares globalmente, como o Know your Meme (conheça seu meme) ou o FAIL Blog.

Empresários brasileiros também tentam a sorte. Há uma onda de sites de memes pipocando. A lista é longa: Mememania, Memesdaent, Mundomemes e por aí vai.

Esses pequenos artefatos culturais lembram que a produção colaborativa e descentralizada na rede continua forte. São veículos perfeitos para se espalharem e serem consumidos em segundos. E é claro, serem substituídos por qualquer outra coisa no momento seguinte.”     (Ronaldo Lemos)

Not (really) bad

Not (really) bad

Os caras-pintadas-hardcore-jabazeiros do Kiss fizeram uma música de amor  estilo colegial nos anos 80. Uma canção com versão ‘bonitinha’ no acústico de 1996, contava com Eric Singer na bateria, que substituiu definivamente Peter Criss há alguns anos.

 

 

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