Ainda falando sobre Amor… Contos lisergicos parte 4 de 6 ou 7

Posted: 15/06/2011 by zegotinha07 in Uncategorized

O conto do Menino Empada.

 

Pobre Menino nasceu do desejo de sua mãe comer empada. Moravam em cidade pequena e seu pai não encontrou nada aberto, nenhum supermercado para comprar os ingredientes e fazer a quitute. Não havia um santo lugar aberto que se pudesse comprar o salgado de frango e catupiry. Diziam que isso era besteira, que o desejo passa. “Não liga, não” o pessoal da rua falava para aquela mãe, que desesperada e aos prantos temia pelo pior. No outro dia, as 9 horas da manhã, ao abrir a melhor salgadaria da cidade, comeu  5 empadas de frango, mas já era tarde demais.

Após 4 meses, nascia ao meio dia o Menino Empada. Na verdade seu nome era João, mas ninguém o chamava assim. Menino cresceu cheio de carinho dentro de seu lar. Lá fora tinha que fugir das brincadeiras de mau gosto sobre o formato de sua cabeça, e fugir de gordinhos  tarados por empada pelo seguinte motivo – Sua cabeça era uma empada completa, na suas veias corriam queijo cremoso e seu corpo era recheado de frango, a única coisa que faltava e ninguém sabia explicar o porque, era a azeitona.

Aos 17 anos era extremamente revoltado com a sua situação, questionava tudo e todos. Nunca tinha encontrado nenhum caso igual, mandava os outros ao inferno junto com o mundo em que eles viviam. Mas a vida lá fora estava chamando, não podia ficar ali, parado, sem fazer nada, tinha que seguir a sua busca por explicações. Mas a falta que a falta faz, o deixava deprimido.

Certa vez foi emboscado por 3 gordinhos, que com facas, o perfuraram para obter o recheio que se alocava dentro de suas entranhas. Ele não ligava em colaborar em casa, mas julgava ser canibalismo comer queijo cremoso ou frango. Empada então, ele dizia ser parecido com  complexo de Édipo, portanto evitava. Mas quando seu pai pedia, sedia os pulsos para as pizzas do velho, e que pizzas!! Provavelmente um meio de escape para o pobre homem enfrentar a barra de ter um filho empada.

Aos 25 decidiu dar um basta exatamente no dia do seu aniversario. Depois de se consultar com piscologos psicóticos e psiquiatras psíquicos, nada adiantava, todas a soluções eram paliativas. Talvez João nunca fosse encontrar uma resposta para aquilo, já não atribuía a Deus a responsabilidade de ser assim, muito menos a sua progenitora. Sua pobre mãe por vez, coitada, sofria dez vezes mais do que o filho. Até quando ele disse – “Longe daqui, vou partir”- a mulher ficou 1 mês de cama aos prantos, parecia que havia perdido seu único filho para sempre (não quiseram arriscar uma Menina Coxinha).

Em seu basta, decidiu viajar, procurar outros lugares, empregos e etc. Chegou à grande cidade, se estabeleceu, ganhou uma grana, gastou tudo em uma bebedeira e um bordel de luxo, afinal não queria morrer virgem.  Partiu para o seu ultimo dia de vida como empada com uma garrafa do melhor whisky que encontrou e depois disso pensou que após tudo provavelmente faria aqueles cachorros que habitavam a entrada de seu prédio mais felizes por um tempo. Ele não gostava de ver os bichos sofrerem, mesmo quando os cachorros o atacaram certa vez.

Há exatamente 25 anos e 5 minutos antes de João entrar no prédio, uma mulher também grávida dava a luz a uma menina que lembrava de perto uma azeitona, seu nome era Olivia. Era verde, uma coisa rara pra quem não conhecia o Menino Empada.  A menina cresceu e amadureceu se tornando uma suculenta azeitona, daquelas bem carnudas, quase sem caroço de tanta carne e suculência (repare na repetição, ela era muito gostosa mesmo).  25 anos depois e 5 minutos abria a porta do elevador. Ela viu pela fresta da porta aquele que se aproximava com um formato de empada e seu coração disparou.

Passando pelo corredor o Menino desviou do elevador, viu de longe que estava descendo mais não queria ser visto por ninguém, porque o pessoal sempre encarava. Até o pessoal do trabalho ainda não tinha se acostumado direito. Como sempre fazia, saia muito cedo de casa e voltava muito tarde, só quem o conhecia, eram os porteiros, ou o porteiro, por ser sempre o mesmo do turno da noite que ficava até de manhã. Nesse dia teve que insistir ao porteiro da hora do almoço, que realmente morava ali. Era quase hora do almoço, e o porteiro decidiu não implicar, o deixou passar. A rua estava lotada, e João percebeu que o porteiro prestava mais atenção nas secretarias que passavam ali com suas calças e saias justas e suas blusas decotadas do que na empada que o pedia pra entrar.

Subiu até a cobertura, se postou em cima do parapeito. Quando estava para pular sentiu algo pegar em sua mão e com uma suave voz ouviu dizer um “Não!” bem calmo. O Menino empada havia finalmente encontrado a sua Azeitona. Finalmente eles eram João e Olivia.

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